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domingo, 11 de outubro de 2015

Sobre “por minha causa e por causa do Evangelho”

 

Pedro José L. Correia |  Justiça e Paz – Aveiro

«O maior paradoxo do desejo não está em procurar-se sempre outra coisa:

está em se procurar a mesma, depois de se ter encontrado”,

Vergílio Ferreira (1916-1996) in Público, 19-09-2015, p.48.

1. Sobre um mundo sem causas – Um homem aproximou-se a correr (quer chegar em primeiro?), saúda e Pedro José L. Correia - Aveiroelogia, simultaneamente, ajoelhou-se, em atitude sagrada (?), para perguntar sobre a Vida Eterna. De repente, a sua causa maior fez dele um desprovido-de-causas. Indeciso foi-se embora abandonado pela possibilidade da felicidade real. O não-seguimento pode levar à negação da Causa Maior. Não sobreviver a uma vida libertária; mas onde a liberdade obedece à Vida em plenitude existe entrega e reciprocidade. Não podemos sofrer da doença do «escapismo»; a realidade não pode negar as Causas prioritárias. Há mediações e consensos que evitam o «tudo» ou «nada». Não aceitar a desconsideração do Outro: evitar no fio-da-navalha a cedência à mediocridade, que é sempre um modo inumano de se ir estando.

2. Sobre as causas do insignificante e do significativo – Mudar a mentalidade no Ser. Acreditar que a multiplicidade não anula a transparência evangélica. Rezar por aqueles a quem as injustiças do mundo sem causas tiraram tudo o que Deus queria dar a todos. Viver com os meios que estão ao serviço da Vida e das Causas: não podemos atrasar mais, nem “fazer de conta” a menos. Os meios “ricos” ou “pobres”; o dinheiro e a pobreza não são «neutros». Precisamos que se faça “o” Bem e “a” Verdade. Faça acontecer “o” chamamento ao Ser. Os meios, em certa medida, são as causas que realizam o cumprimento da Pessoa Humana. Se isto é um «homem»; se isto é uma «mulher»: então a partilha do Ser é possível. A vida não se esgota no «presentismo» das riquezas; nem no «eternismo» dos mandamentos. Tudo é relativo. Absoluto a «Fome» e «Deus». “- Vem, dá (-te) e segue-Me!”.

3. Sobre “por minha causa e por causa do Evangelho” – Neste argumentar de Jesus Cristo que centraliza na sua Pessoa e no Evangelho, a chegada da Boa Nova do Reino de Deus reside tudo. Tudo recomeça agora. “Vai, vende e dá tudo… Vem e segue-Me!” Uma coisa te falta. Há uma carência existencial que não por ser enganada. Exige-se um desprogramar da Vida sem excepções. Sem desvios em relação ao “Caminho, Verdade e Vida”. A nossa Generosidade e os nossos Desejos purificados na Sua Causa e na causa do Evangelho, sem distinções. É preciso um «salto qualitativo»: tornar-se Cristão no Seguimento da Causa de Jesus e do seu Evangelho. (i) Deixar de ser-em-si; (ii) ser-para-os-outros em Jesus.

Em suma, existe a ineludível «necessariedade» para “deixar” o Ter; e então, “seguir” no Ser. Na pânica mediocridade de não tentar procurar o “que nos falta”: viveremos momentos perplexos e insatisfeitos. Na sua Causa e por causa do Evangelho é urgente ir relendo, revendo e reouvindo a Vida na sua plenitude generosa e serviçal. Apenas nesse nada perdido tudo será encontrado.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

«Refugiados: a exigência da fraternidade»

 

A Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana publicou uma nota sobre a atual crise de refugiados: «Refugiados: a exigência da fraternidade»:

refugiados«No dia da apresentação pública da PAR – Plataforma de Apoio aos Refugiados, a que a Conferência Episcopal Portuguesa já deu o seu apoio e que conta com competentes organizações no terreno, a Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana deseja manifestar-lhe, todo seu apreço, na esperança de que ajudemos a minimizar o impacto da grave crise humana que atualmente é vivida a nível mundial. Num recente artigo de jornal (o Frankfurt Allgemeine Zeitung), um governante de um estado europeu afirma temer pela perda das raízes cristãs da Europa devido à chegada do grande número (fala de “invasão”) de refugiados, sobretudo muçulmanos. Diz ser “alarmante” o facto de os povos europeus não conseguirem “defender os próprios valores cristãos”. A Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana considera alarmantes estas afirmações que contrariam objectivamente a pessoa de Jesus e o seu Evangelho. Importa que possamos agir em rede europeia e internacional, para não se perderem esforços nem diluírem responsabilidades, até porque se trata duma operação de futuro complexo. A Conferência Episcopal Portuguesa, agora em Roma, na sua visita ad Limina, para encontros de trabalho com o Papa Francisco e as instituições da Santa Sé, deseja contribuir para uma resposta concreta, em colaboração com o Estado e a comunidade internacional.»


quarta-feira, 29 de julho de 2015

TODOS PROCURAM JESUS, O PÃO DA VIDA

 

Georgino Rocha  |  Justiça e Paz – Aveiro

Pe GeroginoA “onda” de entusiasmo vibrante impele a multidão a ir à procura de Jesus que lhe havia saciado a fome com a multiplicação dos pães. Jo 6,24-35. Impele-a a tomar as barcas, guardadas na margem do lago e a rumar a Cafarnaum, aldeia a curta distância. Impele-a a abrir o diálogo “curioso” de saber há quanto tempo Jesus estava ali, pois havia-os deixado no momento mais eufórico da merenda/refeição: os beneficiados pretendiam aclamá-lo rei. Impele-a a manter-se firme e atenta, fazendo perguntas que Jesus, sabiamente, aproveita para abrir horizontes às suas mentes preocupadas, ao falar-lhes do pão da vida, do pão descido do céu, do pão que Deus dá para a vida do mundo, do pão que sacia todas as fomes, do pão que é Ele mesmo.

O estado de ânimo da multidão é compreensível: garantir o alimento diário, satisfazendo necessidades básicas, reconhecer quem lhe pode valer e segui-lo, acalmar o tormento das dúvidas pressionantes, acolher a novidade que surge e a convida a evoluir na sua compreensão, a ver e a relacionar-se, de modo diferente, com Jesus, a quem fazem um pedido original: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”.

A relação é “paradigmática” do percurso da fé que João sumariamente apresenta: sentir-se necessitado e aceitar ir na companhia de outros, removendo preconceitos e obstáculos, fazer perguntas pertinentes e acolher respostas interpelantes, descobrir e aceitar Jesus como Mestre que não apenas faz sinais de Deus (milagres) mas ensina com a sua autoridade, atribuir-lhe o título de Senhor, reconhecendo-o como o Seu enviado, ser surpreendida pela sua declaração solene: “Eu sou o pão da vida”.

“Senhor, dá-nos sempre desse pão”: o pão da dignidade e da justiça, da liberdade responsável e da confiança recíproca, da fé inteligente e da esperança activa, da sabedoria que faz da “fraqueza” força e da limitação ponto de partida, da escuta compreensiva e do diálogo regenerador, do perdão sem conta nem medida. Pão de uma economia sustentada, ao serviço de todos, de uma política humanizada pela busca incessante do bem comum, de uma cultura aberta aos valores da vida, do bom e do belo, da bondade e da beleza. Pão que nos transforma em eucaristia e gera o mundo novo da fraternidade.

Jesus faz-se alimento no pão da eucaristia para saciar a nossa fome e quer ser alimentado na mesa dos pobres, dos sem-abrigo, dos descartados, dos indigentes de tudo o que é digno do ser humano, do que é respeitoso de toda a criação. A Igreja, fiel ao estilo de vida de Jesus e aos seus ensinamentos, prossegue nas mais diversas situações esta atenção delicada e libertadora. Às vezes, à maneira de semáforos do trânsito.

Hoje, pelo exemplo de tantos cidadãos cristãos dedicados e de instituições de beneficência e promoção, avança com novas ousadias criativas. A ilustrá-lo, de forma eloquente e realista, está a atitude/sugestão do Papa Francisco aos empreendedores da cidade italiana de Prato, conhecida como uma das capitais têxteis da Europa. Estes queriam oferecer-lhe tecidos para paramentos litúrgicos aquando da sua visita àquela região. Francisco agradece a gentileza e pede-lhes que dêem um novo rumo à oferta adiantada: que os tecidos sejam para confeccionar roupas que possam abrigar os pobres do frio ou camisetas para estudantes em países tropicais. “A ideia de Francisco, anuncia o bispo da diocese, foi acolhida com entusiasmo e, inclusivamente, 230 empresas chinesas aderiram à iniciativa e podem contribuir também com roupa já confeccionada.

Jesus, pão de Deus, para a vida do mundo está presente e actuante no coração humano. A eucaristia celebra esta maravilha. O testemunho cristão consequente torna-a visível e operativa.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

DAR FRUTO DE QUALIDADE

 

Georgino Rocha  |  Justiça e Paz – Aveiro

Em linguagem simples e poética, familiar aos discípulos, Jesus prossegue os ensinamentos sobre a realidade profunda da sua união a Deus Pai e da relação entre aqueles que acreditam na sua mensagem. Recorre a uma imagem tirada da vida agrícola – a da vinha em que se destaca uma videira por ser única, verdadeira, autêntica. E extrai, de forma singular, as “lições” que ela insinua, desvendando o seu sentido profundo. Jo 15, 1-8

Os discípulos, como homens da Galileia, estavam habituados a ver os campos e as vinhas, os trabalhos dos agricultores e vinhateiros, os cuidados a ter com cada vide. E a aguardar, em paciente espera, o tempo da vindima, a apanha das uvas amadurecidas desejadas. Certamente, não teriam qualquer dificuldade, em entender o que lhes era confidenciado em ambiente tão marcante, como o da “ceia de despedida”, em que Jesus realça o amor como realidade “envolvente” de todos.

A pertença dos ramos à videira é “o ponto de partida” para visualizar a união vital dos discípulos a Jesus. Ramos sem tronco que os suporte e sem seiva circulante que os irrigue, não perduram e definham, morrem na esterilidade. Tronco sem ramos fica limitado, desfigurado, improdutivo. A união estreita entre ambos é garantia da circulação da seiva nutritiva que dará vida aos cachos de uvas apetecidas.

João, o autor da narrativa, explicita o alcance desta união, usando o verbo permanecer. Como o Pai está em Mim e eu estou no Pai, assim vós também – diz Jesus. E a partir desta comunhão única, afirma a realidade admirável da sua relação com os discípulos que aceitam viver a sua mensagem, que permanecem no seu amor. Paulo, numa das suas cartas, recorre ao termo de “enxertia” para expressar esta mesma realidade. Pelo enxerto logrado, a cepa expande-se em rebentos de vida, em ramos de esperança, em frutos de alegria exuberante.

Sem a compreensão deste enraizamento original único, a alegoria pode ser interpretada de modo desvirtuada: Dar muito fruto, produzir em abundância e eficiência, incrementar o rendimento, melhorar os meios de acumulação, garantir o consumo; ou então, reduzir, ao âmbito privado, o uso dos bens alcançados, comprazer-se em satisfação espiritual pelo êxito obtido, resguardar-se de todo o incómodo que possa surgir com a penúria dos outros.

Permanecer nele é ser-lhe fiel, estar unidos uns aos outros, como ele está com os seus discípulos, viver a missão que não tem fronteiras nem limites, a não ser os do tempo. Dando muito fruto, vos tornareis meus discípulos – garante, sem rodeios, para alegria de todos. E de que frutos se trata? Os mesmos que nos advêm da sua vida e dos seus ensinamentos: amor de doação incondicional, acolhimento de todos como irmãos entre si e filhos do mesmo Deus Pai, apreço e respeito pela dignidade de cada um, confiança nas capacidades humanas e no seu desenvolvimento, justiça e equidade nas relações do trabalho e na repartição dos bens, sentido do futuro que, entretanto, vai emergindo, de forma germinal, em atitudes e gestos com esta dimensão e qualidade, convivência alicerçada no reconhecimento da nossa comum humanidade que, em Jesus Cristo, é reforçada pelo seu exemplo e pela sua intervenção de salvação.

São frutos para os outros. A eficácia, o progresso e o êxito designam-se, no Evangelho, por espera activa, serviço generoso, simplicidade discreta, alegria confiante. O protagonismo a Deus pertence, e a nós a cooperação responsável, livre, inteligente.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

SEGUIR CRISTO, O BOM PASTOR

 

Georgino Rocha  |  Justiça e Paz – Aveiro

“Eu sou o Bom Pastor” – afirma Jesus, fazendo o seu autorretrato com os traços mais marcantes da sua identidade. Recorre a uma metáfora muito conhecida dos ouvintes, sobretudo a partir do profeta Ezequiel, em que se espelha a relação de Deus com o seu povo. Aproveita a oportunidade surgida com a tensão provocada pelos fariseus durante a cura do cego de nascença. Repete várias vezes esta declaração que contrasta fortemente com o proceder dos pastores mercenários, que usam o nome e assumem a função, mas não a desempenham com honradez, sobretudo quando o perigo ameaça.

Na metáfora, o perigo reveste a pele e a fúria do lobo esfaimado; os mercenários são o rosto dos fariseus e de outros líderes; o rebanho é o povo que Deus ama e confia aos seus encarregados de o guiarem nos caminhos da vida; o pastor bom e belo é Jesus que, segundo João o narrador da cena, se apresenta desta forma clara e solene. Jo 10, 11-18. Também a iconografia paleocristã reproduz a imagem de Jesus com uma ovelha aos ombros, sinal da consciência dos cristãos na sua força representativa. E hoje, apesar da mudança cultural, mantém uma interpelante mensagem.

O texto litúrgico selecionado para este domingo faz parte de um conjunto mais vasto dedicado pelo evangelista à catequese sobre Jesus e realça a sintonia da sua missão com o projecto de Deus Pai. Jesus é o pastor definitivo que cumpre a promessa feita há séculos e se mantém em aberto. A solicitude de Deus pelo seu povo manifesta-se plenamente em Jesus, o bom pastor. Ele é a solicitude de quem guia, cuida, protege, reúne, dá a vida, conhece pelo nome, atrai os dispersos ao redil familiar e acarinha com ternura e desvelo.

Que beleza de modelo nos é proposto! Que vigor de apelo nos é feito! “Atreve-te a seguir Jesus, o Bom Pastor”. E o encanto do ideal deixa de ser apenas sonho adiado e faz-se realidade premente, transformando-se em força de intervenção humanizante.

Em Jesus, a vida é dom que se entrega voluntariamente. A melhor maneira de a conservar é fazê-la doação, livre e generosa, ainda que sofrida e crucificada. O amor constitui a força motriz da doação. O egoísmo surge como o maior inimigo da vida, a grande negação da humanidade. O conforto do bem-estar material limita drasticamente o horizonte da dignidade humana integral a que todos estamos chamados. O isolamento imposto amarfanha a tendência natural e educada para a relação solidária, fonte de vitalidade criativa. Matar a vida, em qualquer das suas modalidades, é fazer do jardim da esperança a florescer num mundo novo um cemitério de cadáveres ressequidos e de cinzas cremadas. Dar a vida por amor é a afirmação do melhor que em nós existe como foi em Jesus, o Bom Pastor.

A relação do pastor com as ovelhas é de conhecimento mútuo, de escuta amiga e de pertença recíproca. São um só rebanho. Vivem em clima familiar. Envolve a pessoa toda nas suas múltiplas dimensões: afectivas, intelectuais, relacionais, transcendentes. Esta relação interpessoal faz desabrochar as energias humanas enriquecidas pela graça baptismal e habilita cada cristão para ser um pastor que, a seu modo, assume a missão de Jesus Cristo, o Bom Pastor.

Ser pastor com o estilo de Jesus, começando na família e alargando progressivamente até abranger todos os espaços da vida em sociedade e na Igreja. “Como seria bom, salutar, libertador, esperançoso, se pudéssemos trilhar este caminho! Sair de si mesmo para se unir aos outros faz bem. Fechar-se em si mesmo é provar o veneno amargo do imanentismo, e a humanidade perderá com cada opção egoísta que fizermos” – garante o Papa Francisco na Alegria do Evangelho, nº 87.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Começa a circular a transcrição de uma entrevista feita com o atual Papa quando ele era o então Cardeal Bergoglio, na Argentina. O centro da entrevista é a pobreza do mundo. Porém, há indícios desta entrevista, que nunca foi publicada, ter ser sido uma emboscada realizada pelo jornalista Chris Mathews da MSNBC, mas Bergolio encurralou Mathews de tal forma que a entrevista nunca foi ao ar porque, ao perceber que seu plano havia falhado, Mathews arquivou o vídeo. Porém, um estudante de Notre Dame, que prestava serviços sociais na MSNBC, apoderou-se dele e o deu para seu professor.


CARDEAL BERGOGLIO
a pobreza e a falência dos sistemas vigentes
O jornalista trata de embaraçar o cardeal, levando-o a opinar sobre a pobreza no mundo.
O Cardeal responde:
“Primeiro na Europa e agora na América, alguns políticos tem se dedicado a endividar as pessoas criando um ambiente de dependência.
Para quê? Para aumentar o seu poder. São grandes especialistas em criar pobreza e ninguém os questiona. Eu luto para combater essa pobreza.
A pobreza se converteu em uma condição natural e isso é ruim. Minha tarefa é evitar o agravamento de tal condição. As ideologias que fabricam pobreza devem ser denunciadas. A educação é a grande solução para o problema. “Devemos ensinar; mostrar às pessoas como salvar a sua alma, mas indicando como evitar a pobreza e não permitir que o governo conduza o povo a esse penoso estado.”
Mathews ofendido pergunta: O senhor culpa o governo?
“Culpo os políticos que buscam seus próprios interesses. O sistema socialista. O solialismo e suas políticas são a causa de 70 anos de miséria nna Rússia, e essa situação já existe em muitos países que estão no limite do colapso. Acreditam na redistribuição que é uma das razões da pobreza. Querem nacionalizar o universo para controlar todas as atividades humanas. Querem destruir o incentivo do homem, para, inclusive, cuidar de sua família, um crime contra a natureza e contra Deus. Esta ideologia cria mais pobre que todas as corporações que adjetivadas como diabólicas.”
Replica Mathews: Nunca tinha escutado algo assim de um Cardeal.
“As pessoas dominadas pelos socialistas necessitam saber que não temos que ser pobres.”
Ataca Mathews... E América Latina? Quer apagar o progresso conquistado?
“O império de dependência criado por Hugo Cháves, com falsas promessas, mentindo para que se ajoelhem ante seu governo. Dando-lhes peixes sem permitir-lhes pescar. Se na América Latina alguém aprende a pescar, é castigado e seus peixes são confiscados pelos socialistas. A liberdade é castigada.
Você fala de progresso e eu de pobreza. Temo pela América Latina. Toda a região está controlada por um bloco de regimes socialistas como Cuba, Argentina, Equador, Bolívia, Venezuela, Nicarágua. Quem os salvará dessa tirania?”
Acusa Mathews: Você é capitalista.
“Se pensar que o capital é necessário para construir fábricas, escolas, hospitais, igrejas talvez eu seja. Você se opõe a este processo?”
Por obvio que não, mas não pensa que o capital é retirado das pessoas pelas corporações abusivas?
“Não, eu penso que as pessoas, através de suas opções econômicas, decidem que parte de seu capital irá para esses projetos. A utilização do capital deve ser voluntária. Somente quando os políticos confiscam esse capital para construir obras de governo, alimentar a burocracia, surge um grave problema. O capital investido de forma voluntária é legítimo, mas o que se investe a base de coerção é ilegítimo.”
Suas idéias são radicais, afirma o jornalista.
“Não, faz anos Khrushchev fez uma advertência: “Não devemos esperar que os americanos abracem o comunismo, mas podemos auxiliar seus líderes eleitos com injeções de socialismo, até que, ao despertar, percebam que embarcaram no comunismo.” Isto está ocorrendo nesse momento no antigo bastião da liberdade. Como os EUA podem salvar a América Latina se eles se converteram em escravos de seu governo?”
Mathews afirma: Eu não posso digerir tudo isso.
O Cardeal responde:
“Você se vê muito irritado, a verdade pode ser dolorosa. Vocês criaram o estado do bem estar, que é somente resposta às necessidades dos pobres criados pela política. O estado interventor absolve a sociedade de sua responsabilidade. As famílias escapam de seu dever, com o falso estado assistencialista, inclusive as igrejas. As pessoas já não praticam a caridade, e vê os pobres como problema do governo.
Para a igreja já não há pobres que ajudar, o governo os empobreceu permanentemente e são agora propriedade dos políticos. E algo que me irrita profundamente, é a incapacidade dos meios de comunicação de observar o problema sem analisar qual é a causa. “Empobrecem as pessoas para que depois votem em quem os afundaram na pobreza.”   
 
Fontes:
























terça-feira, 16 de julho de 2013

Faleceu José Dias da Silva, membro da Comissão Justiça e Paz

 

D.R.
Coimbra, 16 jul 2013 (Ecclesia) - José Dias da Silva, membro da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Coimbra, faleceu esta segunda-feira após doença prolongada.
A missa de corpo presente vai celebrar-se esta quarta-feira, às 09h30, na igreja de S. José, seguindo-se o funeral para o Cemitério da Conchada, na cidade de Coimbra.
Numa mensagem divulgada pela família comunicando o falecimento de José Dias da Silva, pede-se para não expressar o pesar através da oferta de flores, mas por um “gesto de generosidade” que “o Zé Dias apreciaria”.
Nesse sentido, é proposto um donativo para o projeto "Fundo Solidário", do Instituto Universitário Justiça e Paz, que visa apoiar estudantes do Ensino Superior com dificuldades económicas.
Colaborador da Agência ECCLESIA, José Dias da Silva era conhecedor e defensor das temáticas da Doutrina Social da Igreja, objeto de análise em muitos artigos que escrevia para a imprensa nacional e regional e escolha para intervenções e conferências.
José Dias da Silva, casado e com dois filhos, nasceu a 15 de março de 1942, no Souto de Brejo, Pampilhosa da Serra.
Frequentou durante oito anos os seminários da Diocese de Coimbra, tendo-se licenciado depois em Físico-Químicas pela Universidade de Coimbra.
Na atividade académica, como professor e investigador universitário, “procurou contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mais solidária e mais humana”.
“Reformou-se ao fim de vinte anos de serviço para se poder dedicar melhor às responsabilidades familiares e a tarefas eclesiais e sociais”, considerou o padre António Jesus Ramos na apresentação do livro “Memórias de um tempo futuro”, em 2006.
José Dias da Silva foi membro da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Comissão Coordenadora Nacional das Semanas Sociais, da Comissão Permanente do Conselho Pastoral Diocesano de Coimbra e da Comissão do Conselho Pastoral da Paróquia de São José (Coimbra).
Responsável pelo módulo de Doutrina Social da Igreja na Escola de Leigos da Diocese de Coimbra, orientou minicursos sobre o tema em paróquias, movimentos e grupos de reflexão e colaborava no Instituto de Estudos Teológicos.
Entre outros títulos, publicou o livro “Viver o Evangelho Servindo a Pessoa e a Sociedade - Introdução à Doutrina Social da Igreja”.
José Dias da Silva mantinha colaborações regulares nas colunas «Fé e Compromisso», no «Correio de Coimbra»; «O Futuro Depende de Nós», no Notícias de Vila Real; «Sinais», na revista Além-Mar e «Pedra a Pedra», no Mensageiro de Santo António.
PR













quinta-feira, 27 de junho de 2013

Igreja, sindicatos e direito à greve

 

A Doutrina Social católica reconhece a legitimidade da greve quando se apresenta como “recurso inevitável, senão mesmo necessário”, tendo em vista um “benefício proporcionado”, como se pode ler no Catecismo da Igreja.
Portugal vive hoje uma greve geral, convocada pelas duas centrais sindicais e apoiada, entre outros, pela Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos e a Juventude Operária Católica.
Segundo o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, “a greve, uma das conquistas mais penosas do associativismo sindical, pode ser definida como a recusa coletiva e concertada, por parte dos trabalhadores, de prestarem o seu trabalho, com o objetivo de obter, por meio da pressão assim exercida sobre os empregadores, sobre o Estado e sobre a opinião pública, melhores condições de trabalho e da sua situação social”.
A greve deve ser sempre um método pacífico de reivindicação e de luta pelos próprios direitos e torna-se “moralmente inaceitável quando acompanhada de violências, ou com objetivos não diretamente ligados às condições de trabalho ou contrários ao bem comum” indica ainda o referido Compêndio.
A carta apostólica ‘Octogesima Adveniens’, escrita em 1971 pelo Papa Paulo VI, ressalva que, no caso dos serviços públicos “necessários para a vida quotidiana de toda uma comunidade, dever-se-á saber determinar os limites, para além dos quais o prejuízo causado se torna inadmissível”.
A ‘Gaudium et Spes’, constituição pastoral aprovada durante o Concílio Vaticano II (1962-1965), declara no n.º 68 que os parceiros sociais envolvidos numa paralisação devem “retomar o mais depressa possível o caminho da negociação e do diálogo da conciliação”.
João Paulo II, na sua encíclica sobre o trabalho, indicava que os sindicatos “cresceram a partir da luta dos trabalhadores, do mundo do trabalho e, sobretudo, dos trabalhadores da indústria, esforçando-se pela defesa dos seus justos direitos, em confronto com os empresários e os proprietários dos meios de produção” (‘Laborem Exercens’, 20).
Para a Igreja Católica, as organizações sindicais, “perseguindo o seu fim específico ao serviço do bem comum, são um fator construtivo de ordem social e de solidariedade e, portanto, um elemento indispensável da vida social”.
“O reconhecimento dos direitos do trabalho constitui desde sempre um problema de difícil solução, porque se atua no interior de processos históricos e institucionais complexos, e ainda hoje pode considerar-se incompleto. Isto torna mais que nunca atual e necessário o exercício de uma autêntica solidariedade entre os trabalhadores”, assinala o Compêndio da Doutrina Social.
À luz desta conceção, a doutrina social “não pensa que os sindicatos sejam somente o reflexo de uma estrutura ‘de classe’ da sociedade, como não pensa que sejam o expoente de uma luta de classe, que inevitavelmente governe a vida social” (‘Laborem Exercens’, 20).
O Compêndio da Doutrina Social, no seu número 308, refere, por outro lado, que “os sindicatos são chamados a atuar de novas formas, ampliando o raio da própria ação de solidariedade”.
OC










sexta-feira, 31 de maio de 2013

Barómetro das Crises

CESO Observatório sobre Crises e Alternativas acaba de publicar o seu 5.º Barómetro das Crises, que nesta edição trata dos cortes anunciados nas pensões.
Cerca de 30% dos 4 mil e 800 milhões de euros de cortes permanentes da despesa anunciados pelo Governo incidem sobre pensões de reforma. Estes cortes nas pensões são tanto mais surpreendentes quanto acrescem a reformas adotadas em Portugal, em 2001 e 2007, que estão já a ocasionar uma redução do valor médio das pensões e, deste modo, a fazer com que a despesa em pensões não acompanhe o aumento do número de idosos na população.
Não se prevendo o crescimento da despesa com pensões que seria expectável à luz da evolução demográfica, como se justifica a prioridade conferida à redução da despesa pública com os regimes de pensões?


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Vaticano: Papa rejeita fé num «deus-spray» e frisa que católicos devem acreditar em «pessoas»

Cidade do Vaticano, 18 abr 2013 (Ecclesia) – O Papa rejeitou hoje o catolicismo baseado num “deus ‘no ar’, um deus-spray que está em todos os lugares, mas não se sabe o que seja” e sublinhou que os católicos devem crer em pessoas concretas.

“Nós acreditamos no Deus que é Pai, que é Filho, que é Espírito Santo, acreditamos em Pessoas. E quando falamos com Deus, falamos com pessoas: ou falo com o Pai, ou falo com o Filho ou falo com o Espírito Santo. E esta é a fé”, sublinhou Francisco na missa a que presidiu no Vaticano, revela o portal de notícias da Santa Sé.

Na eucaristia concelebrada na Casa de Santa Marta por vários sacerdotes, entre os quais o padre luso-canadiano José Avelino Bettencourt, chefe de protocolo da Secretaria de Estado do Vaticano, o Papa realçou que “a fé é um dom” divino.
“Todos somos pecadores, temos sempre algo de errado, mas o Senhor perdoa-nos. Devemos prosseguir sempre, sem nos desencorajar”, afirmou perante dezenas de membros do corpo de polícia italiano responsável pela segurança do Papa e do Vaticano.
Francisco referiu-se também à “alegria” e à “paz” proporcionadas pelo seguimento de Cristo: “Peçamos ao Senhor que nos faça crescer nesta fé, nesta fé que nos fortalece, que nos torna alegres, essa fé que começa sempre com o encontro com Jesus e prossegue sempre na vida com os pequenos encontros quotidianos com Jesus”.
RJM

in Ecclesia 18.04.2013
 

terça-feira, 26 de março de 2013

Ar fresco


M. Oliveira de Sousa  |  Justiça e Paz – Aveiro
Um pouco por todo o lado, de uma forma mais acentuada e conhecida nos últimos tempos, devido ao desenvolvimento das redes de comunicação e universalidade de acesso às mesmas, o espaço público, em termos de opinião e decisão, assumiu praticamente o que pejorativamente se intitula “lavadouro de roupa suja”.
Há tensões por todo o lado. Uma frase, uma árvore que se plante, uma ideia que se tenha, tudo, rigorosamente tudo, é extrapolado, distorcido, empolado,… colocado no “altar dos sacrifícios”, se possível, “queimado vivo” – o mesmo será dizer, destruir.
Há um clima de crispação sobre a terra! – relembramos o assunto da semana passada, ergam-se novas lideranças.
A título exemplificativo – como se tal fosse necessário?! - O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, disse, durante uma entrevista televisiva, citada pela agência AFP, que as críticas feitas à Alemanha se devem "à inveja" dos outros países.
“Sempre foi assim. É como numa turma [na escola], quando temos os melhores resultados, os que têm um pouco mais de dificuldades são um pouco invejosos”, afirmou o ministro, na cadeia de televisão pública ZDF, em resposta a uma questão sobre as críticas que se multiplicam contra a Alemanha, em particular na Europa do Sul.
Será que um estadista pode ter comentários de colegial, de aluno de escola, de “delegado de turma”?!
É este o ar que se respira pela Europa, um pouco pelo mundo: confronto! Sempre em confrontação.
Nesta semana e quadra, é necessário recuperar uma nova Páscoa, inspirada e respirada!
Os odores da urze, do alecrim, da alfazema,… também podem ser recuperados. Compete a quem pode, acredita, vive, proporcionar uma renovação deste clima pestilento. Onde não houver lugar para o Cristo que se encontre Jesus. Este calvário tem de chegar à ressurreição! Se não for pela fé que seja pelas obras de um humanismo cada vez mais solidário!






sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Metade da comida produzida todos os anos vai para o lixo


in Público 10 Janeiro 2012
Leia aqui o artigo na íntegra.

(...) Os números apurados pela instituição estão em linha com os dados da FAO (Food and Agriculture Organization, das Nações Unidas), segundo os quais os países industrializados deitam fora um terço da comida disponível, todos os anos. Isto equivale a 1,3 mil milhões de toneladas, segundo a FAO, suficientes para alimentar as 868 milhões de pessoas que todos os dias vão dormir com fome.

Só em Portugal, é desperdiçado um milhão de toneladas de alimentos por ano (17% do que é produzido pelo país), de acordo com as conclusões do PERDA - Projecto de Estudo e Reflexão sobre Desperdício Alimentar, apresentadas em Dezembro. (...)
Por isso, os autores do documento recomendam que sejam tomadas medidas urgentes para inverter este cenário.