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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

D. António Francisco nomeado para Bispo do Porto



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Igreja/Porto: Novo bispo quer ser presença «simples, próxima e fraterna»

D. António Francisco dos Santos confessa «surpresa» e agradece à Diocese de Aveiro, que o vê partir
D.R.
Aveiro, 21 fev 2014 (Ecclesia) – O novo bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, disse hoje à Agência ECCLESIA que parte para esta missão com o objetivo de estar próximo de toda a população, de uma maneira “simples, próxima e fraterna”.
“Levo a minha entrega, a alegria de anunciar o Evangelho, a certeza da proximidade com todos, a disponibilidade para que todos encontrem em mim um pastor e um irmão”, declarou o prelado, em Aveiro, diocese da qual se vai despedir para assumir a missão que lhe foi confiada pelo Papa.
D. António Francisco dos Santos, de 65 anos, era bispo de Aveiro desde 2006, cargo para o qual foi nomeado por Bento XVI.
“Quero ser porta-voz do amor de Deus, de um Deus que ama cada um em cada situação e em cada circunstância. Vou para agradecer a Deus a Igreja do Porto e para semear esperança”, afirmou.
O prelado foi ordenado bispo em março de 2005, na Sé de Lamego, diocese da qual é natural, depois de João Paulo II o ter nomeado como auxiliar de Braga em dezembro de 2004.
A nomeação do Papa Francisco como bispo do Porto foi publicada esta manhã pelo Vaticano.
“Neste momento, é uma surpresa enorme, inesperada, porque ao ser confrontado com a decisão do Santo Padre senti-me surpreendido e por isso só à luz da fé pude entender esta decisão”, assinala D. António Francisco dos Santos.
O prelado manifesta a sua vontade de “servir a Diocese do Porto com alegria, com entusiasmo” e admite que existe uma “tristeza da separação” da Igreja em Aveiro.
“Esta diocese encontra-se hoje mobilizada, feliz, unidade, com uma extraordinária de prosseguir o caminho que a Missão Jubilar nos trouxe. Por isso, a bênção, o sonho de Deus para Aveiro continuará a inspirar e encontrar colaboradores decididos”, sublinha.
“Do meu coração ninguém sai para que aqueles que vou servir possam entrar, todos têm o mesmo lugar e procurarei servir todos com a mesma generosidade”, diz ainda.
A Diocese do Porto é mais populosa da Igreja Católica em Portugal, com mais de 2 milhões de habitantes, e tem uma área de 3010 quilómetros quadrados, a qual engloba 26 concelhos, 17 dos quais pertencem ao Distrito do Porto, oito ao Distrito de Aveiro e um ao Distrito de Braga.
“Não vou só, vou com a bênção de Deus, a proteção de Nossa Senhora e esta imensa certeza de que todos aqueles com quem trabalhamos, construindo Igreja, estarão comigo”, refere o novo bispo, que sucede a D. Manuel Clemente, nomeado patriarca de Lisboa pelo Papa Francisco a 18 de maio de 2013.
A data da entrada solene na Diocese, na Catedral do Porto, “será indicada proximamente”, adianta D. Pio Alves, administrador apostólico, numa mensagem de saudação ao novo bispo.
LFS/OC
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Mensagem de D. António Francisco à Diocese de Aveiro

Caros Diocesanos,
Nesta hora, não encontro outras palavras senão estas ditas, por Deus quando chamou Abraão: “Deixa a tua terra, a tua família e vai para a terra que eu te indicar” (Gén 12, 1).
Foi à voz de Deus e seguindo o Seu chamamento que sempre parti. Desde a minha primeira missão, como jovem diácono, nos confins do Alto Douro.
Em todos os lugares permaneci e trabalhei, por pouco ou muito tempo, com alegria. Sempre me senti livre para daí partir no dia seguinte, se necessário fosse. Sempre, de igual modo, me senti disponível para aí permanecer.
De todos os lugares fiz minha terra até ao fim. De todas as pessoas sempre me senti irmão. Em todos os lugares onde vivi e nos diferentes múnus que a Igreja me confiou eram previsíveis as mudanças. Menos aqui!
Aveiro era para mim lugar, desígnio e missão até ao fim. Nunca aqui fui estranho nem me senti estrangeiro. Mas, hoje, compreendo, melhor do que nunca, que também aqui era simplesmente peregrino. Só Deus basta e só Cristo permanece.
Pedi a muitos dos nossos sacerdotes em cada ano que, por imperativo de missão, deixassem terras e comunidades e partissem, com alegria e coragem, para outras terras e novas comunidades. Agora tenho eu mesmo de ser coerente e consequente com o que pedi aos outros.
Aveiro era a minha casa e a minha família, pensava eu! Aqui encontrei barco e remos à minha medida. Sempre senti que Cristo ia ao leme. Nunca me faltaram colaboradores dedicados, dispostos a remar ao meu lado e disponíveis para a missão.
A Missão Jubilar ajudou-nos a ser uma Igreja una e unida. Percorremos “um belo e bom caminho” como Igreja feliz, decidida e mobilizada para acolher e anunciar a “alegria do Evangelho”.
Agora é tempo de partir. Sem vos deixar. Parto de amarras soltas, agradecido por esta Igreja de Aveiro que sirvo e tanto amo. Sei que vou acompanhado pela amizade, oração e dedicação de todos os aveirenses.
À voz de Deus e ao mandato da Igreja eu só posso dizer “Sim” por entre desafios, temores e surpresas. Sempre me senti sereno quando obedeci. Sempre reencontrei a liberdade interior quando, depois de dúvidas e receios, venci o temor e disse sim a Deus e à Igreja.
De coração livre e disponível para a Missão, quero, ajoelhado diante de Deus e de olhar voltado para a Mãe de Deus e para Santa Joana, Nossa Padroeira, dizer sim à Igreja que agora me chama a servir a Diocese do Porto.
Acompanhai-me com a vossa amizade e oração, como sempre fizestes ao longo destes oito anos e abençoai-me nesta nova e difícil missão a que Deus me chama. Vivei esta hora comigo.
Com a bênção do vosso bispo e vosso irmão.
Aveiro, 20 de fevereiro de 2014
D. António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro
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Agradecimento da Diocese de Aveiro a D. António Francisco dos Santos

O Papa Francisco nomeou o Sr. D. António Francisco dos Santos como Bispo do Porto.
Com esta nomeação, a Diocese de Aveiro vê partir com saudade o seu Bispo, que ao longo de mais de sete anos a serviu com dedicação, empenho e espírito evangelizador, e a Diocese do Porto ganha assim um pastor que tornará ainda mais visível o rosto paterno e próximo do nosso bom Deus.
A presença do Sr. D. António Francisco na Igreja de Cristo presente em Aveiro deixou profundas marcas; no futuro, com o decorrer do tempo, o Espírito de Deus fará multiplicar os frutos do seu trabalho pastoral. Vivemos alguns anos em que experimentámos, de modo extraordinário, a Bondade de Deus e sentimos no nosso hoje a Hora de Deus para nós. A sua ação fez-se sentir não só na comunidade eclesial que constituímos, mas também em toda a sociedade civil, cultural, académica, política e militar. Não esqueceremos os desafios evangélicos que tornou mais presentes pela sua palavra e pelo seu testemunho: a paixão pela caridade e a atenção aos mais marginalizados, o ardor pela missão e evangelização e o espírito de oração.
Esta nomeação, que a todos apanhou de surpresa, não pode ter outra resposta que não seja a da fé e consequente confiança inabalável no cuidado de Deus por esta sua amada Igreja presente em terras de Aveiro.
Obrigado, Sr. D. António Francisco. Rezamos por si e contamos com a sua oração.
Diocese de Aveiro
[www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=99163, consultado em 2014.02.21]







































segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Mensagem à Diocese–D. António Francisco, Bispo de Aveiro

AF
 
Um mês depois
Na mensagem dirigida à Diocese no mês de Outubro, a minha primeira palavra voltava-se para Deus pedindo-Lhe bênção e ajuda para o Senhor D. António Marcelino. Um mês depois dirijo-me ao Senhor D. António Marcelino para que agora, junto de Deus, seja ele nossa bênção.
Quero agradecer a todos quantos cuidaram com desvelo do Senhor D. António Marcelino, durante a doença, e o acompanharam com dedicação, desde a família, aos sacerdotes e diáconos, aos médicos e enfermeiros, aos capelães e funcionários hospitalares. Expresso igual gratidão a todos quantos no momento da sua morte testemunharam, de formas tão próximas e atentas, presença de dedicação e de oração.
Todos esses gestos, que o coração de Deus guarda e recompensa, significam uma justa e merecida homenagem ao Senhor D. António Marcelino e testemunham uma sentida e sincera comunhão com a Igreja de Aveiro.
No próximo dia 9, precisamente um mês após a sua morte, vamos recordá-lo na evocação que o ISCRA (Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro) vai fazer e na reflexão sobre o pensamento social da Igreja no magistério do Senhor D. António Marcelino que a Comissão Diocesana Justiça e Paz vai promover. Concluiremos esse dia de evocação e de homenagem com a Eucaristia celebrada na Sé de Aveiro, às 19 horas.
Caminhada das bem-aventuranças
De 10 de Novembro a 25 de Dezembro, vamos viver, em união de toda a Diocese, a caminhada das bem-aventuranças. A proposta desta Caminhada pretende envolver cada um dos cristãos da Diocese: famílias, paróquias, serviços e movimentos diocesanos, bem como todas as comunidades religiosas aqui presentes.
As bem-aventuranças são mensagem central da boa nova de Jesus e escola onde o mundo deve aprender a ser mais justo, mais fraterno e mais feliz. Cada um de nós é importante para viver comprometido e empenhado na realização de gestos de misericórdia, mansidão, paz, fraternidade, escuta…porque este é o caminho da verdadeira felicidade. Neste caminho nunca vamos sozinhos…nunca estamos sós. Caminhamos como Povo de Deus e somos Igreja de Cristo. “Na barca da Igreja, eu sou…”.
O arco do tempo que envolve esta etapa da Missão Jubilar abre-nos à dinâmica do Advento; centra-nos na celebração do Dia da Missão e do Dia da Memória e orienta-nos para a alegria do Natal de Jesus. Daqui se vai projectar, continuar e ampliar no tempo o horizonte da vida e o dinamismo da acção pastoral da nossa Diocese a partir da Missão.
Ao fazermos de “redes e peixes” os símbolos desta Caminhada pastoral sabemo-nos chamados e sentimo-nos permanentemente enviados em missão com ousadia profética e novidade evangélica. “Faz-te ao largo; e vós lançai as redes para a pesca” ( Lc, 5, 4).
Felizes os chamados
Como primeiro momento da Caminhada das bem-aventuranças temos, de 10 a 17 deste mês, a Semana de promoção vocacional. Situa-se esta semana na semana dos Seminários. Aberta a todas as vocações e abrangente no seu espírito e programa, a Semana Vocacional volta-nos, de forma explícita e directa, para a vocação presbiteral.
Deus continua a interpelar muitos jovens. O desafio à radicalidade da vida e a vocação à missão caminham a par. Importa semear no coração humano a questão: “O que Deus quer de mim?”
Esta questão é uma interpelação incontornável. Mais do que uma pergunta que sou convidado a fazer, é o início de um processo com sentido e de um projecto de resposta que sou chamado a dar.
Esta é a hora do chamamento, a hora da vocação. Esta é a hora para escutar, para responder, para caminhar. Para muitos esta é a hora de descobrir a vontade de Deus e de iniciar um caminho! Para outros esta é a hora de prosseguir com acrescida alegria o caminho já iniciado!
Na génese do chamamento e no centro da vocação está sempre Jesus. Só em Jesus encontraremos a força da generosidade e o segredo da fidelidade: “Senhor, quero o que Tu queres, mesmo sem saber se posso, mesmo sem saber que quero”.
Jesus chama pelo nome. Um nome dito no silêncio. Escutado e entendido por entre outras vozes. Ouvido com a surpresa inicial dos profetas e seguido com a confiança espontânea dos apóstolos, que “deixaram as redes e seguiram Jesus”.
Esta Semana Vocacional destina-se a cada um de nós. A vocação não é uma questão alheia. Não se trata de uma causa neutra. Não é uma realidade ausente. A vocação traz a marca da identidade de cada um de nós.
Que seja uma semana de oração intensificada, de silêncio valorizado, de atenção redobrada, de generosidade efectiva e de coragem assumida para ouvir a voz de Jesus e seguir os Seus caminhos!
Peço aos sacerdotes, nesta semana e a partir daí, um aumentado entusiasmo no testemunho da vocação e na generosidade do ministério. Dos consagrados (as) espero a certeza da oração e o exemplo da alegria de vidas dadas a Deus para o serviço da Igreja e para o bem do Mundo. Convido os seminaristas e todos os chamados a caminharem alavancados na força da fé e ancorados em Deus que «chama porque ama». Nas famílias e nos jovens esperamos encontrar sempre a abertura de coração aos horizontes imensos da missão a que Deus os chama.
Confio à Igreja de Aveiro um permanente louvor ao Senhor pelo testemunho dos chamados e uma constante oração de súplica para que Deus continue a enviar trabalhadores para a sua Messe.
Ordenação de Presbíteros
Temos inscrito, desde início, no frontispício das nossas Igrejas o lema da nossa Missão Jubilar: “Vive esta hora!”.
Este lema entrou no nosso coração e afirma-se na verdade e na alegria do nosso viver como Igreja diocesana. Vamos viver esta hora, com particular e desde há muito esperada alegria, no próximo dia 17, às 16 horas, na Sé de Aveiro. Vamos, desde já, envolver de oração, de afecto e de esperança os diáconos Leonel Abrantes, Nuno Queirós e Vítor Cardoso, que vão ser ordenados presbíteros.
Eles são chamados por Deus para permanecer com Jesus e unidos a Ele. Com eles, somos todos convidados a regressar à fonte do nosso chamamento e daí partir e repartir, com renovado encanto, para a missão. É a «vida em Cristo», graça e sinal indelével do sacramento da Ordem, que garante a eficácia apostólica e a fecundidade da missão.
Ungidos e enviados em hora de Missão Jubilar, os novos sacerdotes sabem que há tanta gente à espera…à espera do Evangelho! Há tanta gente à procura…à procura de Deus!
Convido toda a Diocese a estar, a partir de agora, com estes ordinandos na comunhão do afecto e na certeza da oração; a acompanhá-los na celebração da ordenação; a incentivá-los na coragem e na fidelidade.
Vive esta hora”, Igreja de Aveiro, como hora de Deus, hora feliz para todos nós, hora de bem-aventurança para o Mundo!
Aveiro, 4 de Novembro de 2013
António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro






























quarta-feira, 3 de julho de 2013

Responsabilidade de uma Comunidade unida no serviço à Educação

 
“As aulas de EMRC não se mendigam nem se impõem automaticamente. Merecem-se.”
 
António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro
e presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé
Com a realização dos últimos exames, calendarizados para estes dias, vemos concluído o presente ano lectivo. Isso não significa que estejam terminados na escola todos os trabalhos deste ano. A escola vive nesta hora um momento de avaliação do ano lectivo que termina e um tempo de preparação e programação do novo ano que começa no próximo mês de Setembro. Avaliar com rigor e programar com clarividência são sempre trabalho necessário a exigir acrescido esforço de toda a comunidade educativa.
Este ano, que agora se conclui, fica marcado no âmbito da Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) pela promulgação da nova legislação que vem dar renovada consistência legal ao exercício do ensino desta disciplina curricular.
Este texto legislativo orgânico, estruturado e consistente é fruto de um prolongado trabalho realizado entre a Conferência Episcopal Portuguesa e o Ministério da Educação e Ciência, que mereceu parecer favorável da Comissão Paritária, aprovação em Conselho de Ministros e promulgação do senhor Presidente da República.
O Decreto – Lei n.º 70/2013, de 23 de Maio, reúne e configura toda a legislação anterior, que foi dando forma e abrindo caminho ao direito dos alunos e dos encarregados de educação de escolherem um projeto educativo assente nos valores da educação moral e religiosa católica.
Sendo a disciplina de EMRC, na escola pública estatal, uma disciplina de oferta obrigatória e de frequência facultativa, ela inscreve-se legalmente no quadro do respeito inviolável pelo direito dos alunos de escolherem uma resposta educativa que assegure a sua formação integral.
As estatísticas revelam que a frequência desta disciplina tem sido estável ao longo das últimas décadas. Mudou a cultura de escola e transformaram-se os contextos de vida da sociedade atual, mas não se alterou nem diminuiu o desejo das famílias de encontrarem na disciplina de EMRC um necessário contributo para a educação dos seus filhos.
Tem aumentado significativamente, nos últimos anos, o número de alunos do primeiro ciclo que se matriculam nas aulas de EMRC, em conformidade com a lei. Isto diz-nos que as famílias procuram dar aos seus filhos, desde o início do ensino básico, a possibilidade de frequentar esta disciplina, conscientes dos benefícios que daí lhes advêm.
Há muitos alunos que frequentam EMRC independentemente das suas convicções religiosas e do seu credo de fé. Compreendemos todos que EMRC não é catequese nem somente educação cívica. A EMRC oferece aos alunos e à comunidade escolar um olhar de interdisciplinaridade para a beleza, valor e sentido da vida.
Ser aluno de EMRC significa aprender caminhos firmados na dignidade humana, sentir o fascínio do transcendente e a lucidez diante do tempo presente, saborear a alegria de trabalhar em conjunto, preencher de alma o viver em comunidade, ler a história com a sabedoria da inteligência e abraçar as grandes causas da humanidade com a doçura do coração. Ser aluno de EMRC consiste em moldar a vida pelos valores do evangelho de Jesus e ajuda a descobrir o encanto da fé e a paixão pela missão da Igreja.
Os protagonistas da EMRC são sempre os alunos e as suas famílias. O seu meio natural é a comunidade escolar. O seu horizonte é a plenitude da vida dos alunos sem marcas temporais e sem fronteiras ideológicas. Os seus agentes mais diretos são os professores de EMRC e a comunidade educativa no seu todo.
Ninguém na comunidade se deve alhear desta grande causa nem dispensar deste serviço à educação, a começar pelos professores e restantes agentes educativos. O segredo do êxito conseguido em tantas escolas do nosso país pela disciplina de EMRC está precisamente aqui: ela é um ato vivo de toda a comunidade, que conhece as suas crianças, os seus jovens e as suas famílias. Só uma comunidade assim unida neste agir educativo e consciente da grandeza desta responsabilidade comum consegue dar à escola o melhor de si mesma.
E aqui a Igreja tem uma palavra a dizer, um testemunho a dar e uma experiência de muitos séculos a partilhar. O professor de EMRC não está só. A escola não pode ser uma desconhecida ou ignorada da comunidade. A missão de ensinar e o direito de aprender não devem estar ausentes nem distantes do viver colectivo da comunidade no seu todo.
As aulas de EMRC não se mendigam nem se impõem automaticamente. Merecem-se. A escola tem direito de as exigir da comunidade como verdadeiro e insubstituível compromisso em prol do bem comum e da causa da educação. O ensino nas nossas escolas tem de exprimir o que a comunidade pensa, sente e quer e deve espelhar a própria alma da comunidade no que de mais belo ela possui.
A presente legislação é, também neste contexto, uma oportunidade que a escola deve valorizar, que os alunos e encarregados de educação são chamados a conhecer, que os professores de EMRC têm o dever de implementar com competência e que toda a comunidade deve assumir com verdade.
O quadro legal em que nos movemos cumpre a Constituição da República e regulamenta, naquilo que lhe concerne, a Concordata de 2004, celebrada entre o Estado Português e a Santa Sé. A adaptação a este novo enquadramento legislativo vai exigir muito da escola e da comunidade.
Pertence-nos a todos concretizar caminhos e cumprir objectivos expressos nesta legislação, para que cada vez mais os alunos possam encontrar nas aulas de EMRC as respostas a que têm direito e procurar aí os valores onde se respaldem os horizontes do seu futuro.
Nesta época de matrículas cumpre-nos sensibilizar as famílias, a escola e a comunidade para o bem que a disciplina lhes oferece. Estamos, assim, a construir uma escola melhor e a lançar bases sólidas do futuro de Portugal.
Aveiro, 1 de Julho de 2013



















quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Apóstolos da força e da beleza da fé - Mensagem de D. António Francisco Santos


Iniciamos este mês sob o signo da vida consagrada. O dia 2 de Fevereiro, dia litúrgico da Apresentação do Senhor foi, desde há muito, escolhido por João Paulo II como o Dia da Vida Consagrada.
Reunimo-nos, nesse dia, na Sé de Aveiro com os consagrados e consagradas da Diocese para darmos graças a Deus por este dom concedido à Igreja e pela sua presença, carismas, testemunho e acção em todos os nossos Arciprestados. Celebremos, assim, ao longo de todo este mês, de forma jubilar, a alegria da generosidade e o testemunho da fidelidade com todos os consagrados e consagradas da nossa Diocese.
Há vinte e cinco anos, nesse mesmo dia, faziam a sua consagração, como Leigas de Nossa Senhora do Sim, o primeiro grupo diocesano de oito mulheres decididas a confiarem a Deus, nesta Igreja de Aveiro, a sua vida entregue para servir o mundo. Uma já partiu ao encontro do Pai e outras vieram posteriormente juntar-se ao grupo inicial. Damos graças a Deus pelo dom da sua vocação e pelo testemunho da sua fidelidade.
Ao procurarem viver a radicalidade dos conselhos evangélicos, os consagrados e consagradas são apóstolos incansáveis da força e da beleza da fé. São verdadeiros «catecismos abertos», onde tanta gente tem encontrado os «conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada» (Bento XVI, A Porta da Fé, 9).
Impelidos pelo amor de Cristo, como verdadeiros peregrinos da fé, os consagrados estão na primeira linha da frente do serviço à causa do anúncio do evangelho das bem-aventuranças.
Que esta seja, também, a hora de ver surgir na nossa Diocese novas vocações para o ministério ordenado e para a vida religiosa e consagrada no meio do mundo, pela diversidade de tantos carismas e pela beleza do mesmo testemunho de amor a Deus e serviço aos irmãos. “Vive esta hora!”
Um dia vou visitar-te
Coincide a nossa Missão 11 de Fevereiro e o Dia da Visita com o Dia Mundial do Doente, que João Paulo II escolheu, por referência ao dia litúrgico de Nossa Senhora de Lurdes.
Por entre a agitação do trabalho, a preocupação do (des)emprego, o ritmo frenético da vida falta-nos tempo e lugar para olharmos, ouvirmos e estarmos próximos dos nossos irmãos, que estão doentes ou vivem sós e se encontram esquecidos e abandonados.
Esses irmãos nossos têm nome e rosto. São muitas vezes nossos pais e avós, nossos irmãos e vizinhos e nossos companheiros de vida. E são todos nossos contemporâneos!
São irmãos nossos: abrigam-se sob o mesmo céu, mesmo quando não têm abrigo; percorrem os mesmos caminhos, mesmo quando o chão da vida lhes foge e os seus pés se sentem magoados pelas asperezas de tanto caminhar; falam a mesma língua, mesmo que ninguém os ouça ou já ninguém os entenda; calam as mesmas dores e gritam sofridas revoltas, mesmo que não haja leis para os defender; aguardam misericórdia e esperam compaixão, mesmo quando marcados pelo estigma da pena ou da discriminação mercê do mal feito.
Somos convidados a visitar alguém para que não haja ninguém que não tenha neste dia quem o visite. Que essa visita não seja um instante fugidio mas sim uma presença que dê tempo à escuta, que ofereça voz à proximidade, que se faça companhia ao jeito do bom samaritano, como quem ama, cuida e dá vida.
Vamos como mensageiros do Senhor. Somos presença de Deus. Levamos na alma, no coração, no olhar e na fé a certeza de que ser feliz é fazer feliz os outros: “Um dia vou visitar-te…hoje é o Dia!”
CatequesesInicia-se no próximo dia 13 a Quaresma. A mensagem do Santo Padre Bento XVI para esta Quaresma parte da bela afirmação de S. João na sua primeira Carta: “Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele” ( 1 Jo 4, 16).
Ao longo deste tempo e com este mesmo espírito de discípulos de Cristo que conhecem o amor de Deus e crêem nele vamos desenvolver, nas três primeiras sextas-feiras da Quaresma, em simultâneo nas 101 paróquias da Diocese, cada uma das três Catequeses da Missão Jubilar.
Descobriremos, assim, o encanto de sermos Comunidade cristã, onde encontramos na diversidade de carismas, de dons e de ministérios membros da comunidade disponíveis e preparados para viverem este dom da missão que é ensinar. Vamos todos aprofundar e fortalecer as razões firmes da nossa fé, esperança e caridade para que sejamos verdadeiros discípulos de Cristo, mensageiros das bem-aventuranças do Reino e construtores desta Igreja de Jesus Cristo em Terras de Aveiro.
A Missão Jubilar não é apenas memória de uma data histórica. É, antes de mais, o aproveitar de uma data importante para ajudar a crescer a consciência evangélica e eclesial em cada diocesano e em cada paróquia, em cada comunidade e em cada grupo.
Nos temas propostos, as referências ao II Sínodo Diocesano são essenciais, dado que aí devemos voltar em permanência para colhermos os frutos de um longo trabalho de sementeira realizada ao longo do tempo da nossa história como Diocese restaurada. Celebramos esta Missão Jubilar cinquenta anos depois do início do Concílio que constitui para todos nós um marco incontornável da renovação da Igreja e de incentivo ao ânimo evangelizador e ao diálogo com o mundo.
Quero, neste horizonte já próximo das Catequeses, deixar uma palavra de muita gratidão e renovado incentivo aos missionários a quem incumbe a orientação das Catequeses da Missão Jubilar. Reconheço que não é tarefa fácil, mas sei igualmente que é missão imprescindível para o anúncio do evangelho. Vejo a vossa missão como um serviço necessário de anúncio da fé, de formação cristã, de consolidação do nosso viver em comunidade e do nosso amor aos nossos contemporâneos.
Esta é uma bela experiência de fé e de vida eclesial pela disponibilidade generosa encontrada em tantas centenas de missionários, chamados das suas terras e comunidades, para irem ao encontro de novas terras e diferentes comunidades e para testemunharem pela palavra e pela vida a fé, cuja beleza querem ajudar a descobrir, a professar, a viver, a anunciar e a celebrar.
Os missionários vão cruzar os caminhos da Diocese como livro aberto onde as crianças, jovens e famílias por inteiro podem aprofundar a fé e descobrir que pela formação cristã passa a necessária renovação da Igreja.
Estou certo de que as Catequeses assim preparadas, vividas e realizadas oferecem a toda a Diocese na sua intencionalidade, conteúdo e valor um momento fundamental da nossa Missão Jubilar.
Incentivemos todas as pessoas e comunidades da nossa Diocese a participar e a sentir que deste modo se realiza a palavra de Jesus dita na sua terra ao ler na Sinagoga de Nazaré a profecia de Isaías (Is 61, 1-2):
“O Espírito do Senhor me escolheu, me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova. «Cumpriu-se hoje a palavra que ouvis».
Todos davam testemunho de Jesus e se admiravam com as suas palavras repletas de graça e de sabedoria” (Luc. 4, 21-22 ).
Aveiro, 4 de Fevereiro, Memória litúrgica de S. João de Brito, de 2013António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro