sábado, 31 de março de 2012

JESUS ENTRA NA CIDADE

 

Georgino Rocha | CDJP – Aveiro

Jerusalém é a meta desejada por Jesus ao longo de toda a sua caminhada em missão. Faz convergir tudo para esta cidade. Também as oportunidades como as festas da Páscoa que constituíam os “dias da pátria”. A elas, acorrem multidões que fazem triplicar a população residente. Enquanto duram, a azáfama é grande, sobretudo no templo, centro da vida religiosa e económica. A alegria torna-se irradiante e a “confusão” contagiante. E os chefes temem ver frustrada a sua armadilha e que grupos de insurrectos se aproveitem e provoquem alguma sublevação que obrigue os romanos a intervirem. A ocasião é propícia para reivindicar a libertação nacional, alimentada pela esperança na vinda de um messias vigoroso e triunfante.
Jesus entra na cidade, não às escondidas, mas publicamente. Escolhe um modo exemplar, desconcertante. Percorre as ruas tapetadas de flores de embelezamento e de palmas de vitória montado num jumento – animal que simboliza o serviço humilde e gratuito -, aclamado por gente simples que manifesta o seu entusiasmo exuberante. O modo exemplar converte-se em símbolo com força de sentido para sempre.
Entra na cidade, espaço onde se organiza a vida social e económica, se cria e transmite a cultura, se administra a justiça, se realizam as festas religiosas que, além de louvar a Deus, irmanam as gentes e ajudam a conservar a identidade. Hoje, a cidade secular precisa de um novo dinamismo em todas as áreas da vida colectiva: organização que favorece a participação de todos os cidadãos, que reparte o trabalho por todos de modo a faz chegar os bens a casa de cada um, que cuida com especial cuidado os valores dignos da condição humana, que administra a justiça com rectidão e sem delongas, que cria espaço para as festas religiosas que exprimem o que melhor vivenciam os cidadãos crentes. A cidade secular não pode ser humanizada sem a festa popular, onde os cidadãos se encontram e partilham tradições e projetos, vivenciam o tempo, rememoram o passado, abrem as “janelas” ao futuro colectivo e afirmam a sua identidade comum mais profunda.
Entra na cidade, rede de relações humanas e de saberes, onde se cruzam e mutuamente se enriquecem o civismo e a proximidade, a ciência e a fé, o gosto de aprender e de ensinar, a prática do desporto por lazer e por competição, a convivência de gerações, os sonhos de futuro e as saudades feitas memória viva; cidade onde o realismo dá consistência à fantasia e o quotidiano desenha o estilo de vida solidário e fraterno. A cidade secular não pode abdicar desta capacidade de gerar “homens” novos que sabem afirmar a sua individualidade e potenciar a sua sociabilidade.
Jesus entra na cidade, comunidade onde o amor gera e está ao serviço da vida: na família de sangue ou de pertença, reduzida ou alargada; nas casas de acolhimento e de cuidados de pessoas doentes ou idosas; no voluntariado de vizinhança e de proximidade; nas instituições de solidariedade nas comunidades locais; nas atenções múltiplas aos “sem abrigo” de toda a espécie. A cidade secular necessita absolutamente destas fontes de vida, destes oásis de humanização, destas estalagens samaritanas.
Entra na cidade, santuário da consciência onde cada um se encontra consigo mesmo na sua autenticidade mais genuína e vai formando os critérios que levam a opções decisivas; se encontra com os outros no melhor das suas consciências e pode crescer em humanidade; se encontra com Deus e o seu amor de Pai e, como Jesus ensina, viver a relação filial, construir a cidade dos homens sabendo que está a lançar as sementes da cidade de Deus.
Entra na cidade para mostrar que é possível ter a paixão de ser positivamente diferente, de ter uma causa nobre pela qual confiadamente tudo se suporta.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

“À flor da nossa pele…”

Padre Pedro José | Comissão Justiça e Paz - Aveiro

Comentário: Mc 1,40-45: Ano B – VI Tempo Comum (12-02-2012)
«Vamos tornar o inimigo feio»; «Quem é feio é inimigo» – Umberto Eco.
«O modo como o Outro se apresenta, ultrapassando a ideia do Outro em mim, chamamo-lo, de facto, rosto» – Emmanuel Levinas.
«Jesus, ao curar o leproso, quer dizer para todos nós, cristãos, que nem a beleza, nem a feiúra, nem o cheiro, nem a cor são critérios para que as nossas peles se aproximem» – J.B. Libânio.
           Diante do milagre, devemos perguntar sobre o seu significado, e não ficarmos maravilhados com o seu impacto extraordinário. Não se trata de factos “exóticos e sobrenaturais”.
          Hoje a medicina consegue fazer melhor. Foi reativado, no nosso país, o transplante de fígado para crianças, uma realidade que exige muita especialização e dispendiosos cuidados de internamento. Muitas doenças que levaram a humanidade à morte estão vencidas. Mas outras voltam com mortes cruentas e em massa. Olhe-se à tuberculose com o respectivo perigo dos antibióticos sem efeito, etc. Outras doenças ainda estão por surgir…, sem pessimismos. É a nossa frágil condição humana.
            O sentido do milagre é o próprio Jesus. Hoje na cura da terrível lepra, Ele curou a «nossa» pele. A pele é a «nossa» exterioridade; a nossa comunhão com o exterior; com o mundo à nossa volta. Pela pele – e sensíveis frieiras neste frio que sentimos… – percebemos a temperatura, percebemos que alguém está ao nosso lado. Temos ao extremo “pele de galinha”. Olhamos a pele e sentimos e evidência do Rosto. Jesus vai no profundo mistério da pele humana, e toca. O leproso (das piores doenças que afectam o nosso exterior…) deixou-se tocar.
            Como nos comportamos? Há pessoas que não toleram a nossa presença física e logo arranjam desculpa para se afastar. Outras aproximam-se. O que a nossa pele rejeita ou recebe? A quem rejeita e a quem recebe? Jesus quer curar em nós essa incapacidade que a nossa «pele» tem de suportar o diferente; o feio…; o de outra etnia…; o de outra ‘formação’…; o de outra ‘terra’; o de outra ‘geração’; o de outro clube; o de outro partido; o de outro cheiro, etc.
        Até àquele momento o leproso não podia ser tocado por ninguém e também não podia tocar em ninguém. E Jesus fez questão – o Evangelho diz: «compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe».

A pele não é apenas publicidade: eterna juventude sem rugas! A pele não é o lugar da beleza com rótulos, estereótipos de capa de revista! A pele não é malícia, falsa beleza física, inocência perversa, ou pudor farisaico. A nossa pele somos nós em contacto, de comunhão simples, limpo sem artifícios de valorização desnecessária. A pele é a nossa capacidade de acolhimento colocando à prova a nossa bondade, sem preconceitos e medos. A nossa pele somos nós com a idade do amor e da ternura. Nossa pele somos nós com a temperatura da proximidade. O frio do egoísmo, o ardor do sacrifício e a brisa suave da beleza verdadeira. Nossa pele é a nossa comunicação em acto de abertura! Ao respeitar todas as peles, respeitamos todas as vidas!

CARTA ABERTA. HOMEM LEPROSO, MEU IRMÃO


Padre Georgino Rocha  | Comissão Justiça e Paz-Aveiro

Não estranhes, homem leproso, receber por correio eletrónico a mensagem de um padre católico. Vivo junto ao mar Atlântico numa região a que deram o nome de Lusitânia. Leio com frequência as Escrituras e vou-me informando do estatuto social e religioso das pessoas que sofrem de lepra. Sei também que os rabinos multiplicam as regras protectoras de quem tem saúde, agravando a situação de quem sofre de doença. Estás escorraçado da sinagoga e da sociedade. Em “nome de Deus”! Vives a “monte” ou em esconderijos, à distância, para nem sequer seres visto. Tal o medo de contágio!
Esta distância não é apenas geográfica, mas  afectiva, familiar, social e religiosa. Como bem sabes, todos somos humanos, temos coração, precisamos de laços de união e de pertença, sentimos necessidade de ser apreciados e reconhecidos. Então por quê discriminar?
Por isso, quero dizer-te, meu irmão, o que me vai na alma, o que faz nascer em mim o teu encontro com Jesus de Nazaré, na sua itinerância pelas tuas terras da Galileia.

Admiro a tua coragem, fruto certamente da tua fé confiante. Que ousadia provocante! Tomas a iniciativa e aproximas-te de Jesus. Ignoras intencionalmente que estavas proibido de andar na rua, quando alguém fosse a passar, e tinhas de gritar “impuro”, “maldito” para o avisar da tua proximidade ou, então, de fugires para evitar qualquer contágio. Transgrediste conscientemente uma lei “sagrada”. Arriscaste a vida que te restava, pois podias incorrer na pena de morte.
Por sua vez, Jesus faz o mesmo: estende a mão e toca-te, realizando um gesto de grande proximidade, mostrando uma liberdade superior, abrindo os horizontes novos da saúde integral para todos. E tu ficas curado no corpo perante a sociedade e abençoado por Deus, sinais públicos de integração na comunidade. Vês assim recuperada a tua dignidade de pessoa humana.
Com o teu proceder, ensinas-nos, meu bom irmão, que os “milagres” de Jesus passam pelos nossos gestos. Tu fizeste ouvir a tua voz, ajoelhaste, colocaste a solução do teu “problema” nas suas mãos e aguardaste. Não temeste ser afastado como um maldito, nem tratado como um blasfemo. Apenas mostraste a disponibilidade radical para receberes o que ele entendesse por bem.
Deixa-me dizer-te outra maravilha: mostras uma disposição radical sublime. E ocorre-me uma pergunta: como chegaste a essa disposição do coração? Tu sabias que desse encontro dependia a tua vida. Arriscavas tudo. Estou em crer que a tua fantasia trabalhou bem os comentários que ias ouvindo, talvez às escapadelas. A intensidade do teu sofrimento reclamava libertação e pressionava as tuas capacidades activas. Impunha-se uma decisão ousada. Felizmente, soubeste tomá-la oportunamente. A tua sabedoria intuitiva leva-te a acertar em cheio na corda mais sensível do coração de Jesus Nazareno, o mestre itinerante. E a sua reacção, com todas as consequências, não se fez esperar: Toca-te com a mão e exclama: “Quero, fica limpo”! E, no mesmo instante, a lepra deixou-te. Que eficácia maravilhosa.

A tua atitude reactiva provoca-me alguma surpresa. Começas a apregoar o sucedido, quando havia a recomendação severa de guardares silêncio. E nada se diz quanto ao cumprimento das outras prescrições. Estou em crer que o teu desejo satisfeito era tão intenso que “forçava” a exuberância da tua alegria jubilosa. Também estou convencido que o espartilho da segregação em que viveste cede perante o impulso forte da liberdade.
E podes seguir nos caminhos da vida: deixando crescer a barba, sinal de honradez e de responsabilidade; vestindo a roupa comum, símbolo da plena integração e pertença à comunidade; mantendo o cabelo alinhado e o rosto descoberto, traços distintivos de quem sabe conviver em sociedade.

Obrigado, meu irmão, porque a tua lepra fica como referência dos males que ameaçam a vida humana ao longo dos tempos; a tua atitude como pauta a ter em conta na luta pela saúde integral; o teu encontro com Jesus Cristo como exemplo para todos os que alimentam o desejo de verem sanadas as feridas da vida e satisfeitas as aspirações mais profundas do coração.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Dignidade Humana e Direitos Humanos


A Conferência das Comissões Europeias Justiça e Paz decidiu realizar uma Acção Conjunta dedicada à defesa da Dignidade Humana e dos Direitos Humanos . Foi decidido que uma parte da Acção Conjunta seria dedicada à defesa dos Direitos Humanos dos refugiados e dos imigrantes irregulares, junto da população jovem. Estes filmes foram realizados pelos alunos de uma escola de cinema em Berlim. Constituem, portanto, uma mensagem de jovens para jovens e podem  ser visualizados e partilhados em www.youtube.com/CNJPportugal

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

SÃO CURADOS OS QUE VIVEM ATORMENTADOS

 

Georgino Rocha | Comissão Diocesana Justiça e Paz – Aveiro

Jesus anda por terras de Cafarnaúm. Vive uma jornada intensa de trabalho. Sai da sinagoga e vai a casa de Simão. Encontra com febre a sogra deste. Estende-lhe a mão e fica curada. Depois, ao cair da noite, depara-se com muitas pessoas atormentadas por diversos males. Cura umas e liberta outras. A sua fama vai aumentando. O estatuto social do carpinteiro de Nazaré começa a ter novo apreço. E ele tem de travar o “falatório” para não antecipar o ritmo normal da realização do seu projecto. Recolhe-se, por isso, em oração para verificar a sintonia com o querer de Deus-Pai. Deixa aquelas terras e vai para as povoações vizinhas. É preciso anunciar que o reino de Deus está em realização. Há que ser coerente e não parar nos primeiros passos.

As pessoas atormentadas sofrem horrivelmente. Job é o rosto humano de tal situação. As expressões que usa são bem elucidativas: vida dura e cruel, sofrimento atroz, noites intermináveis de amargura, dias breves de esperança, amanhecer sem aurora, angústia e morte. Como Job, tantos milhões de pessoas neste tempo que é o nosso! O sofrimento manifesta-se em doenças de todo o tipo, em calamidades devastadoras, em injustiças organizadas, em humilhações aos “sem tecto” e aos desempregados, em guerras provocadas, em carências de bens de primeira necessidade, em discórdias e tensões, em escalas invertidas de valores, em inseguranças para viver a liberdade, na pobreza ética do sentido da vida que provoca o sofrimento mais cruel.

Job recorre ao Senhor e clama pela sua memória. Abre uma pista para decifrar este complexo enigma. As curas de Jesus são sinais da realidade nova que está a acontecer. A ressurreição culminará este processo de transformação radical. A Igreja e, nela, os cristãos recebem a missão de serem testemunhas do que vai ocorrendo em forma germinal.

O enigma do mal ”colou-se” à natureza humana e, tal como o joio da parábola, progride sem se saber bem como. Se é difícil a sua explicação, não o é a verificação dos seus efeitos perniciosos.

As pessoas atormentadas merecem toda a atenção solidária de Jesus: acolhe, aproxima-se, toma pela mão, levanta de pé, aceita serviços, dialoga, integra na sociedade, abre-lhes horizontes de liberdade, deixando-os avançar nos caminhos da vida. Realiza as curas também ao sábado, embora fosse proibido, mas a pessoa vale mais que esta instituição religiosa. A atenção de Jesus é fruto do seu amor incondicional que quer vida para todos, que supera toda a descriminação, que pretende saciar o mais íntimo do ser humano, que reconfigura a nossa imagem divina e nos faz filhos de Deus.

Estranho modo de proceder, mas é o mais eficaz para vencermos a indignidade do mal e vivermos em sintonia com Deus e na bondade e beleza da sua graça. O sofrimento por amor faz crescer a nossa humanidade.

sábado, 28 de janeiro de 2012

TU ÉS O SANTO DE DEUS

Georgino Rocha  |  Comissão Diocesana Justiça e Paz - Aveiro

Esta afirmação não deixa de ser ousada e interpelante, atendendo a quem a faz. Que assombro manifesta perante os ensinamentos de Jesus na sinagoga de Cafarnaúm! Que estatuto social e religioso reconhece ao humilde artesão de Nazaré! Que prenúncio adianta do que virá acontecer no futuro! “Que tens a ver connosco? Vieste para nos perder” – declara o endemoniado em altos gritos.
O episódio ocorre durante a “homilia” na celebração habitual aos sábados, segundo os preceitos judaicos. Convidado a comentar as leituras, Jesus adopta um estilo próprio, distanciando-se do método tradicional. Não cita nenhum dos famosos rabis, como era de “bom tom” para credenciar o comentário. O que disse, Marcos não o regista, mas não andará longe, como noutras passagens se afirma, de algo parecido com o que Mateus conserva na sequência do sermão da montanha ( 5, 21-48). Jesus reinterpreta com autoridade pessoal o sentido das escrituras e manifesta o seu conteúdo oculto e inédito. Os ouvintes ficam admirados com a novidade e interrogam-se sobre o seu alcance: “Que vem a ser isto? Até os espíritos imundos lhe obedecem!” O que estes intuem, declara-o convictamente o possesso endemoniado.

A novidade é manifesta, não apenas em palavras, mas em gestos de proximidade e de cura. O endemoniado sente-se liberto de tudo o que o oprime: doença, exclusão, forças maléficas. A sua presença na sinagoga e a sua intervenção pública causam certa estranheza e revestem uma enorme carga simbólica. Será o “retrato” da situação religiosa que é necessário superar? A troca de palavras – não chega a ser diálogo – entre ele e Jesus parece indiciar algo parecido. O confronto com as forças do mal personificadas em espíritos imundos ou possessos irá ser uma constante na missão do Nazareno e, a partir dele, na vida e acção dos seus discípulos e da sua Igreja.
Outrora estas forças “disfarçavam-se” em pessoas possuídas por tendências naturais incontroláveis ou por desvios humanos notórios, pela influência de seres estranhos ou de espíritos demoníacos. As ciências do conhecimento biológico e médico ainda não estavam desenvolvidas a ponto de identificarem a origem destas perturbações esquisitas. Mas os seus efeitos, sim; estão bem patentes no estigma social típico de todo o endemoniado, na marginalização religiosa a que era votado o doente, no estatuto de excluído da sociedade; por isso, a sua condição não contava nem valia nada, não merecia qualquer consideração.

E hoje, que forças ocultas ou evidentes mantém as pessoas manietadas e oprimidas, as sociedades fragilizadas, os estados impotentes, as confissões religiosas ensonadas e a(s) Igreja(s) incomodada(s)? Parece claro que refazer o sistema que provocou e mantém esta crise global é pretender continuar o “fabrico” de empobrecidos em número crescente e o espezinhamento da sua dignidade, a multidão de silenciados e manipulados que tardam a tomar a palavra, a legião de indignados que tentam fazer ouvir a sua voz e a razão que lhes assiste. A base da pirâmide social alarga-se cada vez mais. E o topo superior afunila-se progressivamente.
As alternativas vão-se esboçando e dão alguns passos. Adquirem maior visibilidade os projectos que visam a mudança de mentalidade e a conjugação de esforços em torno da economia solidária, de participação activa, de responsabilidade de cada um face ao bem de todos. Que bom seria, se o critério de acção fosse, pelo menos, a novidade trazida por Jesus de Nazaré – o Santo de Deus - apresentada de forma inaugural na sinagoga de Cafarnaúm!