sábado, 10 de dezembro de 2016
terça-feira, 20 de setembro de 2016
A Comissão Diocesana Justiça e Paz, de Aveiro, associa-se à Jornada Mundial de Oração pela Paz. Que os nossos pensamentos estejam com todos aqueles que sofrem com a guerra, a pobreza, a exclusão...
Por uma verdadeira Cultura de Paz!
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/vaticano/dialogo-interreligioso-papa-vai-a-assis-para-encontro-pela-paz/
terça-feira, 5 de julho de 2016
Agradecendo a tod@s os elementos da antiga Comissão Diocesana Justiça e Paz de Aveiro, recuperamos a dinâmica do blog da CDJP.
Como primeira ação pública da nova Comissão, em parceria com a ORBIS - Cooperação e Desenvolvimento, deixamos o convite para uma Tertúlia sobre os Refugiados, "A Coragem de Acolher"
No CUFC, Aveiro, quarta-feira, 13 de julho de 2016, às 21:15.
Somos todos bem-vindos!
domingo, 1 de novembro de 2015
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
FELIZES SEREIS POR MINHA CAUSA
Georgino Rocha | Justiça e Paz - Aveiro
Jesus dá esta garantia aos discípulos no início da apresentação do programa que vem realizar em nome de Deus e que
resume em proporcionar a quem nele crer a felicidade plena, exuberante, definitiva. Mateus, o autor da narração, descreve a cena com termos de grande solenidade: depois de ver as multidões, sobe ao monte, senta-se rodeado por eles, começa a ensiná-los proclamando as bem-aventuranças. Mt 5, 1-12. Deixa emergir a figura de Moisés e o episódio do Horeb, das tábuas da Lei e da aliança que Deus realiza com o seu povo. E insinua, desde já, que Jesus é o novo Moisés que não vem revogar, mas elevar à perfeição o pacto outrora celebrado na montanha sagrada.
Ser feliz é a aspiração maior do coração humano. A tudo recorre para ver se o alcança. A história documenta abundantemente este facto que a experência pessoal e familiar confirma, armazenando momentos intensos de exuberância, situações prolongadas de satisfação e bem-estar, e comprovando que tudo é passageiro, deixando um vazio amargo que deseja preencher e superar constantemente.
"A autêntica felicidade torna-se presente na nossa vida quando saímos do nosso eu egoísta, nos descentramos e voltamos o nosso rosto, as nossas mãos e o nosso coração para o outro. No serviço, a entrega e a felicidade dos outros encontramos a generosa prenda que nos envolve como uma veste nova" (Tolstoi).
Jesus é muito claro na sua mensagem. Unir-se a Ele e professar a fé faz-nos ser peregrinos confiantes da felicidade prometida e está ao nosso alcance. Assumir a sua causa é antever, desde já, os sentimentos mais íntimos que brotam do seu agir, do seu estilo de vida, do seu coração liberto, da sua misericórdia que de todos se compadece, aproxima e ajuda.
Seguindo os seus passos, são felizes os que não têm o coração amarrado pelo dinheiro nem atado pelos bens; os que apreciam uma vida sóbria e saudável e repartem com generosidade; os que não se deixam aprisionar pelos desejos egoístas nem pelos apetites descontrolados.
Felizes os que sabem sofrer por amor e se preocupam com as dores alheias e as agruras da vida, com os gritos das vítimas inocentes e os gemidos das criaturas; se preocupam e tomam iniciativas para lhes dar consolo e despertar a consciência humana da indiferença malévola em que deixou cair o sofrimento anónimo. Felizes os que encontram em Ti, Senhor, a coragem e a fortaleza para descobrir o sentido positivo de tantos dramas humanos.
Felizes os que sabem perdoar e aceitam o perdão que lhes é dado, os que acolhem agradecidos o teu amor misericordioso, os que são amáveis e respeitadores, os que esquecem ofensas e amam os inimigos. Tal como tu fizeste, Senhor.
Felizes os têm um bom coração, limpo de preconceitos e maldades, capaz de ver o melhor que há nos outros, de ser justo nas apreciações e de não confundir a trave com o sisco de que fala o Evangelho ao tratar da relações fraternas; felizes os que são sinceros e verdadeiros, e vivem em vigilância atenta ao que nasce do coração: pode ser o melhor ou o pior.
Felizes os que trabalham pela paz, que semeiam o respeito e a concórdia, que previnem tensões e conflitos, antecipando-se ao que é previsível e desinflacionando emoções negativas ou amaciando temperamentos agressivos; felizes os que deixam a sua comodidade e conforto e se pôem a caminho para remover os obstáculos à paz e ajudar na reconciliação dos desavindos e dos adversários, ainda que tenham de sofrer a incompreensão e, mesmo, a perseguição e a morte.
Felizes os que mantém viva a tua causa que é a do Reino dos Céus e não se cansam de lançar as sementes no campo do mundo, sem quererem guardar no seu celeiro o trigo desta vida que termina, mas preferem vê-lo germinar em frutos da Vida que não acaba. Felizes os que acreditam no Céu.
A felicidade que Jesus nos garante brilha na imensa multidão das pessoas bondosas e santas que, hoje, celebramos. E não na “macacada dos halloween (etimologicamente véspera do dia de todos os santos e não noite de bruxas) nem das fantasias tenebrosas das almas do outro mundo que atormentam os mortais. São de todas as condições, raças e cores. Estão presentes em todas as épocas da história. Também na nossa, em que surge com novo fulgor na tragédia dos cristãos mártires. Também nas vítimas inocentes de leis iníquas, à semelhança do que aconteceu contigo, Senhor, que foste eliminado por cruéis algozes e glorificado por Deus Pai. Felizes sereis por minha causa!
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
sobre alguns reflexos d´alma
Pedro José L. Correia | Justiça e Paz – Aveiro
“Não ver. Não ver o que se quer. Não querer o que se vê.
Coisas tão diferentes, que compõem os nossos dramas”.
OMP, in “Missão: o que o amor não pode calar” - Guião Missionário 2015/2016, p.36.
[1] “Não ver” – O Não-Ver da existência é “negatividade” pura; e ela não rima com “felicidade”. Eis nossa ilusão impura do “se calhar”. Se calhar para nosso bem o não ver é um ver melhor. Ver claro é um deixar de ver escurecido. Porque é Noite. E um ver indiferente é fechar-se nos olhos da opulência cínica ou do consumo desmedido. Não ver que me irrito facilmente. Não ver o sorriso genuíno. Não ver lágrima ferida. Não ver que estou cansado de dizer sim-sem-pensar. Não ver que o «carácter» não tem pátria, nem religião, e muito menos, salário base. Cumprir-se enquanto Pessoa é o mínimo que podemos aspirar. Cultivar o olhar interior. O Desejo purificado. Curar a cegueira da visibilidade, isto é, ver com o Coração apenas e sempre. Como Deus nos vê.
[2] “Não ver o que se quer” – O “falso positivo” é aquilo que não está inscrito no número do telemóvel no click do polegar indeciso. Para ver muito, até mais que o necessário: ligam-se os máximos; os holofotes dos jornais; impõe-se interesses e caprichos; no fundo, o paradoxo do mentiroso verdadeiro. Para ver do lado da humanidade: diante do sol, somos a sombra; diante da luz artificial, apenas acendemos uma vela. Isso mesmo: para controlar a conta mensal da luz elétrica; basta a Coragem de participar numa Procissão de Velas. Uma pequena Procissão de Esperança nocturna. Ver com a inteligência da vida, no sentido próprio da palavra, e deixaremos de ser impróprios para os relacionamentos quotidianos. Ter o Sangue purificado Nele. Curar a cegueira da possibilidade, isto é, a preocupante e preocupada doença das "selfies".
[3] “Não querer o que se vê” – Ninguém gostaria de ter a sua roupa interior exposta na praça pública. Fazemos isso e muito mais, por «coisíssima nenhuma». Dá cá aquela palha e já está arrumado o caso. Onde reside o «sacramento da iluminação»? Pelo batismo sou um iluminado que se converte passo a passo. Só autenticidade, mesmo no limite da nossa não-aderência à Verdade. Isto é complexo: do erro-a-erro para chegar ao graça-a-graça. Olhar o Futuro mais-que-imperfeito dos nossos lusos verbos irregulares. Uma nova gramática evangélica. Aqui somos invadidos: pelo “more is more” que passa a traduzir-se por “less is more”. Descobrimos que não sabemos falar línguas estrangeiras e que isso não contribui para a Salvação dos néscios?! Conversão de purificação. Curar a cegueira da impossibilidade, isto é, da invisibilidade.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
ORAGEM! ELE ESTÁ A CHAMAR-TE
Georgino Rocha | Justiça e Paz – Aveiro
Esta exortação “faz a ponte” entre o grito confiante de Bartimeu e a atenção que Jesus lhe quer dispensar. Condensa e exprime o desejo recíproco do encontro, do diálogo pretendido, da compaixão suplicada. Mc 10, 46-52. Evidencia a situação de quem está retido à beira dos caminhos da vida e dos que, livremente, vão fazendo o seu percurso, integrando-se nas multidões ou acolhendo-se a grupos de preferência. Lança luz sobre a família na pluralidade das suas configurações, a atitude sábia a cultivar preconizada pelo Sínodo que, hoje, conclui os seus trabalhos, os belos testemunhos de quem vive e contempla o amor conjugal na sua luz irradiante, os pedidos sentidos e persistentes de tantos divorciados e recasados que esperam uma oportunidade para verem a sua dignidade e integração mais reconhecidas na Igreja.
Marcos narra o episódio do cego de Jericó, colocando-o, pedagogicamente, após a tensão surgida entre os apóstolos por causa de saber quem entre eles é o maior e antes de se “fazerem ao caminho” que o Mestre decididamente ia tomar rumo a Jerusalém. Aqui, se desvendará quem é o primeiro no reino de Deus: o que, por amor, a tudo se sujeita, mesmo à morte de cruz. O autor pretende “desenhar” o perfil do verdadeiro discípulo.
Bartimeu sente as limitações e sofre as consequências resultantes do seu estado, numa sociedade legalista e discriminatória, A necessidade força-o a pedir esmola, saindo para os caminhos por onde passavam os transeuntes. Um dia ouve dizer que Jesus de Nazaré ia a passar e dá largas à sua voz reprimida, gritando: “Filho de David, tem compaixão de mim”. Esta súplica mostra a sua confiança em ser atendido, pois, como outrora David protegia os seus súbditos necessitados, assim agora – pensa o cego – Jesus lhe iria valer, compadecendo-se da sua situação.
A multidão tenta abafar o seu grito, repreende-o e manda-o calar. Ele, porém, não está disposto a perder a oportunidade e insiste. Vence com a sua persistência as tentativas de o silenciarem. Que lição para os tempos que correm! Resistir à onda avassaladora da dignidade humana, à nivelação igualitária de todas as expressões do amor sexuado, à redução privada do destino universal dos bens, à discricionária solidariedade subsidiária, à imposição dos modelos de educação e à exclusão de qualquer outro tipo que não seja a escola estatizada, à proibição do direito dos cidadãos à escolha da educação e de expressarem em público a sua fé. Dar voz aos gritos abafados dos idosos solitários, às lágrimas dos espoliados dos bens de sustento, às dores das vítimas da conjuntura económica, aos gemidos dos “sem voz” nesta crise alarmante.
Jesus detém-se, manda-o chamar e espera. O recado chega depressa. Que dita não terá vivido Bartimeu naquele instante! E ainda por cima com o apoio amigo de quem lhe transmite a mensagem. Momentos únicos na vida. “Coragem! Ele chama-te”. Que alegria sentirão as famílias ao verem-se chamadas pela Igreja na sua ternura de mãe a percorrerem com ela os caminhos da verdade que liberta e da misericórdia que acolhe, com desvelo, o pecador perdoado. Coragem, família, o alicerce firme de uma sociedade humanizada e harmoniosa, está em ti e no desempenho das funções naturais enriquecidas pela sabedoria das culturas e pelas lições da história. A civilização do amor só será possível contigo como comunidade de vida em relação, de escola do perdão, de espaço de comunicação de corações irmanados no mesmo objectivo: a felicidade de todos e de cada um dos teus elementos.
O episódio de Bartimeu constitui um símbolo de grande alcance. O encontro dá-se, o diálogo clarifica o pedido e a compaixão manifesta-se. Jesus declara-o curado, devido à sua fé confiante. O cego recupera a vista e segue Jesus pelo caminho, rumo a Jerusalém, onde verá “coisas maiores”: o amor feito doação que brilha na morte tenebrosa da cruz e na ressurreição refulgente da sepultura na manhã da páscoa. Oxalá a família liberta das possíveis “cegueiras” que a podem atormentar cresça na luz da sua verdade original iluminada pelo amor de doação de Jesus ressuscitado, o rosto da misericórdia de Deus Pai.

