M. Oliveira de Sousa | Justiça e Paz - Aveiro
Vivemos cada dia com a convicção de que amanhã há uma nova manhã; uma madrugada de esperança. Cantamos em silêncio, envolvidos na rotina, que o caminho feito é garantia para o que falta percorrer. Quem pode abonar o decurso da natureza?!
Ser mais em cada dia porque basta um homem bom para haver esperança!
As pessoas parecem já não acreditar num futuro feliz nem confiam cegamente num amanhã melhor a partir das condições atuais.
Troca-se o momento pelo sonho!
A humanidade, mesmo na mais pequenina beleza, sonho e anseio, muda profundamente, e o avolumar-se de constantes novidades consagra uma fugacidade que nos arrasta à superfície numa única direção. Torna-se difícil parar para recuperarmos a profundidade da vida: nós! A alteridade interpelante.
O urgente desafio de proteger a nossa casa é a preocupação de unir em busca do que sabemos poder mudar. Porque o tempo que dedicamos à nossa flor é que a torna tão bela - diz o Principezinho!
Quando assaltados por dúvidas e desorientações, desvele-se que é ao entardecer, quando passou a fugacidade da luminosidade - não confundível com a intensidade da luz - que vemos se valeu a pena o dia percorrido! Tal só é equacionável se a intensão dos momentos não se sobrepõe à totalidade do tempo.
Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este tempo não nos tirem a alegria da esperança!
(Inspirado na Laudato Si e outras oportunidades)
(Correio do Vouga, Julho 2015)

A travessia do mar da Galileia constitui um momento privilegiado para Jesus mostrar aos discípulos quem é por meio das acções que faz. Mc 4, 35-41. Serve igualmente de “cenário” do ambiente de turbulência e perseguição em que vivem as comunidades a que o autor dirige a narrativa. Projecta luz sobre a relação do homem com as forças da natureza, as tempestades ambientais e a bonança do equilíbrio recuperado. Deixa em aberto a pergunta expectante dos discípulos: “Quem é este homem a quem o vento e o mar obedecem?”