quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

CONFIA E TRABALHA, APESAR DO QUE VÊS


Georgino Rocha  |  CDJP – Aveiro
Esta é a atitude do cuidador da vinha onde se encontra uma figueira que não dá frutos há três anos. Jesus recorre a este facto/parábola para visualizar a mensagem que pretende transmitir aos discípulos e, por eles, a toda a humanidade. Que faz lá a figueira? Nada de útil, apenas ocupa e suga o terreno, dá sombra que impede o sol de aquecer a zona envolvente, larga folhas que cobrem o campo e abafam a germinação das sementes. “Corta-a” – ordena o dono. “ Senhor, deixa-a ficar mais um ano, eu vou cuidar dela, cavar em seu redor, deitar adubo, regar à sua volta e as suas raízes – responde o encarregado. E, confiante, acrescenta: “Talvez venha a dar frutos”.
A narrativa deixa a parábola em aberto. O dono consentiu? A figueira produziu frutos? O esforço do vinhateiro foi compensado? O ano pedido foi alongado? Estas interrogações não estão no centro da mensagem de Jesus e, agora, não interessam ao ensinamento que pretendia dar aos discípulos. A abertura surge da atitude surpreendente do encarregado da vinha: em vez de obedecer, intercede pela figueira; em vez de partilhar a decepção do dono, ousa confiar em alguma possibilidade de mudança; em vez de considerar esgotado o tempo da tolerância, recorre à paciência esperançada.
Esta nobre atitude é a que Jesus propõe aos discípulos de todos os tempos. Como ele, nunca os prazos estão esgotados durante a vida. Como ele, a confiança no futuro justifica o empenho no presente. Como ele, a energia da paciência acompanha todas as urgências. Como ele, acredita na força do amor que transforma e fecunda o que parece estéril.
A imagem da figueira é um símbolo habitual no Antigo Testamento para indicar Israel e o seu comportamento. O proprietário anónimo – o ouvinte/leitor bíblico não tinha dificuldade em identifica-lo – é Deus que oferece muitas oportunidades ao povo para dar frutos dignos da sua condição de povo escolhido. O vinhateiro/cuidador do campo onde está a figueira é Jesus que, paciente e laboriosamente, confia e trabalha, apesar do que vê e está plasmado na improdutividade, na esterilidade, na letargia da natureza, na alergia e falta de correspondência dos conterrâneos.
Agora é tempo de dar frutos. Há que vencer resistências, “cavar” as consciências e ir ao seu recanto mais profundo. Há que abandonar securas superficiais e “regar” a vida com o suor do amor confiante. Há que “cortar” as ervas daninhas, os vícios desviantes, e “alinhar” afectos e comportamentos. Há que descentrar o ego do seu olhar míope e focalizá-lo no círculo aberto ao bem de todos os outros, ao bem comum. Há que fazer como o vinhateiro, apesar de tudo o que se vê e parece aconselhar outras atitudes. É possível dar frutos novos e saborosos.




Cristianismo em choque operativo:

“deverás ser feliz” (parte II)
– ensaio brevíssimo (continuação) -
1. Consciência vivida por inteiro. Na hora da despedida. Na hora do ocultamento. Na hora da (in)visibilidade porque hora, também, de transparência testemunhal. Novamente reafirmada a Consciência como a grande vitoriosa. Muitas leituras podem ser feitas mas sei e acredito que esta perdurará sem medo eclesial (já não digo eclesiástico). Consciência porque fidelidade à «Voz de Deus»[1], enquanto conversão interior, não intimista ou sectária. Nas palavras do próprio Bento XVI: “essa conversão implica voltar a colocar Deus em primeiro lugar. Tudo fica diferente depois. Implica ainda que busquemos de novo as palavras de Deus para as deixar brilhar como realidade na nossa própria vida. Temos, por assim dizer, de voltar a ousar a experiência com Deus, a fim de O deixarmos actuar na nossa sociedade[2].
2. Oportunidade de sentir a renovação. A renovação verdadeira por uma decisão de Liberdade. Descobrir onde o Vento Sopra: ” (…) a partir do dia 28 de Fevereiro de 2013, às 20h (19h em Lisboa), a sede de Roma, a sede de S. Pedro vai ficar vaga (…)”. Na missa junto com o Povo de Deus, vou deixar de rezar a invocação: - Pelo nosso Papa Bento XVI – conhecendo-me sei, que ainda vai surgir vez por outra, o mesmo nome, ato falho memorável!? – isto acontece como uma morte programada e anunciada. Morte-em-vida. “Visão [vivência] mais cristã do tempo de Deus como não –Poder”[3]. Isto é: o cristianismo em estado quase puro. Penitência como purificação: Um só Desejo: Servir com Humildade, até ao Fim. Assim quando encaramos a Morte como Fidelidade á Vontade-de-Deus, a Morte deixa de ser inimiga mortal, mas passará a ser irmã em humanidade. Morre como Papa, continua Bispo e Cristão. Morte Pascal prenúncio de Ressurreição.
3. Obrigado por ser como é. Não-querer-ser-como-todos-os-outros. Renúncia generosa ou a vida também se lê. Renunciou a uma vida anormal, para voltar á normalidade da Graça (…claro está/fica que nunca esteve fora dela!). Renunciou a horas mal dormidas, para ter horas de leitura e oração. Renunciou a não ter dias de folgas, para ter todas as folgas preenchidas com o Silêncio-de-Deus. Entretanto, porque sou muito daquilo que tive a oportunidade e dever de ler. Obrigado: pelas encíclicas, Deus caritas Est, pela Spe Salvi, e, sobretudo, pela encíclica social, Caritas in Veritate, esta ainda não li toda como deve ser, mas é um dos melhores textos sobre a globalização solidária. Obrigado: pelos três livros sobre “Jesus de Nazaré”, o primeiro li e reli, sublinhei e risquei, e continuará em mim na força da diferença-teológica-arrumada, confesso que quase li o número dois, “Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição”, e conto pegar nele, novamente, nesta Semana Santa; e paginei capítulos, com muito interesse, do volume sobre “A Infância de Jesus”, depois de todas as “imprecisões e crimes opinativos[4]” - mais uma vez e nunca a última - sobre o que o papa não escreveu no livro, a sua releitura impõe-se. Sobretudo, estou a ler “Introdução ao Cristianismo” uma verdadeira pérola teológica.
4. Tradição é sempre interpretação - “segundo a Escritura”[5]. Não há que ter medo do futuro. Terrível a leitura sociológica presente no neologismo «cristianofobia», como lição/moda pós-moderna, na espuma dos nossos dias stressados. O seu legado «ratzingeriano» contra a ditadura do relativismo é o antídoto necessário. O futuro a Deus pertence: isto se a responsabilidade humana, no presente, não for descartada. Não deverá haver votos marcados dentro/fora do Conclave (!?). A Fé é o bom combate, o papa emérito dentro da Tradição já o recordou: “como dizia santo Agostinho, a História mundial é uma luta entre dois tipos de amor: o amor por si próprio – até à destruição do mundo – e o amor pelo Outro – até à renúncia de si próprio. Esta luta, que sempre pudemos presenciar, também está a acontecer agora[6]. Mesmo dentro da eleição? Sim dentro eleição. Pois o papa não é votado, por Anjos…, por Mulheres.., mas por Homens, celibatários, com o ónus da nomeação de Cardeais-Eleitores, que sendo batizados, vão ser iluminados pelo Espírito Santo. Haja abertura e fidelidade aos Sinais dos Tempos. Apenas isto: «Se sou batizado, devo ser um convertido feliz». Que o novo Papa nos conduza à Bem-aventurança Evangélica!
Pedro José, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 27-02-2013, caracteres (incl. esp), 5718.

[1] “Poucos papas, salvo o angustiado Paulo VI, terão vivido tão literal mas também tão calmamente a banalizada “morte de Deus” na consciência contemporanea como Bento XVI”, LOURENÇO, Eduardo, “O peso da tiara abolida” in Público, 15-02-2013, p.47.
[2] BENTO XVI – Luz do mundo: Uma conversa com Peter Seewald, Lucerna, Cascais, 2010, p.69.
[3] “Depondo como quem descansa o peso da sua tiara virtualmente anacrónica e renunciando nela a uma “ternidade” inumana por uma outra visão mais cristã do tempo de Deus como não –Poder, o mais suave dos papas não dilacera a túnica sem costura do Cristo (há tantos séculos dialcerada). Restitui-lhe o sentido e o esplendor da única etenridade que conta aos olhos de um cristão. E que não é a de ouro e seu peso de sangue, nem glória e sua ilusão, mas a da consiência do seu nada no espelho do tempo mortal do nosso coração”, LOURENÇO, Eduardo, “O peso da tiara abolida”, in Público, 15-02-2013, p.47.
[4] Uma voz crítica para saber ler: MESSORI, Vittorio, “Ipotesi sul Papa. E sulla Chiesa che verrà” in Corriere della Sera, 17-02-2013. E no seu blog [http://www.et-et.it/] todo um manacial de artigos para saber ler, como exemplos: “Quella lettura politica che sfigura la Chiesa”; “Quel mio primo incontro con Ratzinger”; “l'eredità di Benedetto XVI è la fede”.
[5] Cfr. E.M. TERRA, João, S.J., Itinerário Teológico de Bento XVI, Editora Ave-Maria, São Paulo, 2006, p.74ss. 
[6] BENTO XVI – Luz do mundo: Uma conversa com Peter Seewald, Lucerna, Cascais, 2010, p.65.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Num tempo difícil, levantar o olhar e ver sinais de esperança


Ao designar 2013 «Ano Europeu dos Cidadãos», a Comissão Europeia está a cumprir a promessa feita no Relatório sobre a cidadania da UE e a dar resposta ao apelo do Parlamento Europeu para ser tomada esta iniciativa.
O objetivo do Ano Europeu dos Cidadãos consiste em facilitar aos cidadãos da União o exercício do seu direito de circular e residir livremente no território da UE, assegurando um fácil acesso às informações sobre os seus direitos. (CE, 2012)[i]
A Comissão Justiça e Paz, da Diocese de Aveiro, pretendendo, nestes tempos de dificuldade, dar sinais à esperança releva práticas de quem com pouco muito faz, dá a conhecer as denegações da justiça e as violações dos direitos do homem que se verifiquem em situações concretas, recolhendo elementos objetivos completos sobre tais situações, formular juízos acerca delas e afirmar a sua solidariedade cristã para com as vítimas, quando a gravidade dos casos o justifique, faz o anúncio das atitudes e dos fatos mais significativos que promovam os valores da justiça, da paz e dos direitos do homem.
A última reunião da CDJO foi uma reunião-visita a instituições que fazem trabalho no concelho de Ílhavo, revelador do envolvimento de organismos da Igreja (ou próximos) com as comunidades e das crescentes dificuldades sociais. Sem ficar na confinados à reflexão tem a vantagem de nos desinstalar, de nos permitir ganhar contacto com outras realidades e experiencias e, ainda que numa dimensão muito modesta, prestar tributo a quem faz do seu exemplo a atualização do pensamento social da Igreja.
Ir ao encontro de três instituições do concelho de Ílhavo (Obra da Criança, Lar do Divino Salvador, Grupo de Jovens “A Tulha”) e conhecer a sua ação social foi o principal objetivo. Num tempo de crise de identidade, solinhamos a urgência de ‘in loco’, tomar contacto com as entidades que promovem junto das populações locais, conforme o seu carisma, os valores da solidariedade, da fraternidade, da caridade e da reabilitação/promoção do outro e cultura local.
É tocante constatar a prática da Caridade, que se baseia no Amor ao Próximo, como acontece no Lar Divino Salvador. É admirável o facto das necessidades e dificuldades serem entendidas como uma oportunidade para crescer e melhorar (CDSI, 57).
Ver na primeira pessoa, o carisma fundador das respetivas instituições, que desde a criança/adolescente, em risco por diversas razões; passando pela mãe adolescente, ou à mulher, de reconhecido “estatuto” ou não, enquanto vítima de “violência doméstica”; até aos jovens que se assumem como protagonistas das tradições e da cultura na comunidade local. Um verdadeiro intercâmbio de dons entre Gerações. Nesta ação as «Idades da Vida» surgem, e impõem-se, como o antídoto para um mundo aparentemente sem conserto, desgovernado e desencantado, pela «Lei-da-força-do-mais-forte». Outra face do «Dia da Visita» da Missão Jubilar (e este será um dos segredos da MJ, nos seus dias “11”, estarão sempre presentes como possibilidade de realização contínua: antes, hoje é o dia, e sempre!).
Desta reunião-contacto direto com a realidade, emergem:
1. Um projeto acredita que mais do que monitores e técnicos, e eles são necessários cada vez mais na sua competente profissionalização, nós precisamos de um «Lar» e da figura imprescindível do «Pai/Mãe», sempre quando caímos, para que haja crescimento em autonomia responsável: a recriação permanente d’Obra da Criança! No apadrinhamento empresarial corresponsável e da sociedade civil ativa - que primeiro «até» rejeitava permissivamente na base do preconceito «má consciência» -, agora defende a gestação da Vida, de modo precoce, ou promove a Mulher contra a violência desumana e cruel, de que ainda é vítima bem perto de nós: a renovação sinergética do Lar do Divino Salvador! Uma esperança maior renasce quando os jovens, são levados e se levam a si próprios, com seriedade, através de experiências incubadoras em criatividade e liderança, ao serviço da cultura na comunidade local, de modo intergeracional: o carisma - autêntico «case study» - da Associação Juvenil «A Tulha»!
2. Importância da ação social Igreja. Os organismos ligados à Igreja Católica prestam um inestimável contributo para minorar as dificuldades dos cidadãos e, não raras vezes, preenchem uma lacuna que o Estado não consegue resolver. A relação financeira entre Estado e IPSS é um campo em permanente tensão. Os organismos e instituições católicos da área social prestigiam a Igreja aos olhos da sociedade porque, cumprindo a sua obrigação, são a prova de que a fé não fica entre as paredes de um qualquer templo. Por outro lado, também ficou claro que instituições promovidas e geridas por católicos, ainda que sem qualquer vínculo jurídico ou legal, podem ser forma importante de reforço da coesão social e de relação quase natural entre o profano e o sagrado.
3. Apontar ao profissionalismo. Sem menosprezo pelo voluntariado, o voluntarismo não se compagina com a necessidade das instituições se organizarem para servir melhor. Trabalhar com vontade e dedicação não dispensa uma estrutura que permita tirar o maior proveito dos recursos. Para além desta constatação das regras básicas de gestão, a relação com as entidades públicas, e desde logo o Ministério da Segurança Social, obriga a que as instituições adquiram certo grau de profissionalismo. Em prol da transparência e da eficiência.
4. Coesão social, uma urgência. Cada tempo tem as suas dificuldades mas a atual conjuntura traduz-se por um agravamento das condições económicas e por uma pressão social muito significativa (insolvências familiares, corte nas pensões, desemprego, co-habitação de casais separados, abandono escolar, etc). Este é um tempo em que as instituições são chamadas a aumentar a sua atenção aos problemas, independentemente das dificuldades próprias. A Igreja tem uma função importante na denúncia dos efeitos da crise e ganha tanto mais crédito quanto for capaz de se assumir como solidária e acolhedora. Numa palavra: cristã.
A concluir, Uma árvore só cresce direito quando se descobre necessitada duma estaca auxiliar. Não é menos livre por isso. Organização e disciplina. Em todas as instituições, o Carisma está em permanente abertura ao tempo presente, pela fidelidade à «otimização dos recursos humanos e materiais». Nesta «visita» incondicional atualizamos a partilha no Bem Comum. Quem se divide cresce.
O bem-estar e realização pessoal fazem parte do "eu" pessoal, embora diferente dos outros "eu" têm em comum atingir a felicidade. Há momentos gratuitos (entrega incondicional) que nos enriquecem de tal forma que até pensamos que somos importantes.
Nós somos espectadores do mundo e/ou produtores de atos de justiça, ou de omissões injustas. Temos de escolher. A condição do espectador/produtor (e do crente) é o movimento contínuo da «visita» que procura o «lugar» ideal para si e para os demais. Todo o «lugar» é a sua casa; a nossa «casa» acolhe todo o Hóspede em curso. Os testemunhos de Deus somos nós. Nós somos os continuadores do Carisma dos múltiplos fundadores. A Justiça maior do mundo é feita da nossa medida justa em cada dia. Que a visita do nosso próximo nos conduza á Casa Comum!
Aveiro, 15 de fevereiro de 2013.

CDSI (Compêndio Doutrina Social da Igreja
















FAZ TUAS AS OPÇÕES DE JESUS


Pe Georgino Rocha  |  Justiça e Paz, Aveiro

O episódio das provações de Jesus desvenda o drama do ser humano que quer ser fiel ao seu projecto de vida, à sua consciência livre de seduções insidiosas, à sua liberdade soberana, mesmo perante as necessidades mais elementares. Lucas, o narrador do acontecido, que tem alcance simbólico, coloca frente-a-frente o Diabo e Jesus e desenvolve a provocação em três cenas expressivas: a do pão para quem tem fome; a do poder dominar outros para quem se sente dependente; a de dispor de Deus, a seu bel-prazer, para exibição do seu estatuto social e religioso a quem respeita a normalidade da natureza humana e de toda a criação.
O diabo teima e insiste. Jesus resiste e persiste. Ambos se justificam com a palavra de Deus que mostram conhecer muito bem. Ambos tomam a dianteira na provocação: o diabo faz a proposta, Jesus dá-lhe a resposta, abrindo horizontes novos. O “taco-a-taco” mantém-se…, desistindo provisoriamente o diabo. Mais tarde, nas cenas da paixão e do calvário, investe definitivamente e consegue, por meios legais e humanos, eliminar fisicamente aquele que antes não tinha podido vencer. Jesus, porém, mantém a confiança radical em Deus, seu Pai, que o ressuscita da morte e o faz vencedor para sempre. Jesus vê assim confirmadas as opções da sua vida que nós somos convidados a assumir, fielmente, com verdade e entusiasmo.
As provações sedutoras insinuam-se constantemente. O dinheiro/ouro luz, reluz e seduz; o poder  atrai e exibe-se; o êxito afirma-se e impõe-se. E os três pretendem ser os pilares da nossa sociedade, os objectivos de tantas carreiras profissionais, o móbil que condiciona as consciências e faz girar o mundo. A tríade ramifica-se em muitos “filhotes” que a publicidade consumista se encarrega de fazer apresentar de forma insinuante e atraente.
Jesus não nega o que pode haver de verdade nas tentações diabólicas. Para ele á claro que o pão/alimento integral do ser humano é indispensável a todos e, por isso, lembra a necessidade do pão do espírito, da palavra que vem de Deus e se prolonga na palavra humana. Para ele é claro que o poder tem autoridade e força, não de subjugação e eliminação, mas de serviço adequado às situações degradadas para que sejam superadas. Para ele é claro que o êxito é desejável e deve ser legitimamente prosseguido, não à custa dos outros, mas com eles e possibilitar a realização feliz de todos.
A este propósito, evoco com emoção a estória de um antropólogo inglês que estudou durante anos uma tribo sul-africana. Recolhidos dados que - pensava - poderem definir bem o “húmus” da tribo, encontra um “bando” de crianças a brincar. Chama-as e diz-lhes: “Pus junto àquela árvore um saco de rebuçados. Quem chegar lá primeiro, fica com os rebuçados todos para si”. Imediatamente, as crianças dão as mãos e avançam ao ritmo das mais pequenas. Sorridentes, pegam no saco e vêm para junto do antropólogo. “Por que fizestes assim?” - pergunta. “Não podemos deixar que só uma seja feliz e as outras, não”. E o estudioso antropólogo conclui sabiamente: “Aprendi mais com este episódio do que com todo o meu estudo”.
Ser feliz com todos é a proposta de Jesus. Este é o sonho de Deus em realização. Este é o projecto dos discípulos que dá consistência à resistência a todas as forças diabólicas e abre horizontes às nossas lutas diárias. Faz também tuas as opções de Jesus Cristo.                                   

O teste das tentações

Pe Pedro José L Correia | Justiça e Paz, Aveiro

«Calo-me, espero, decifro. / As coisas talvez melhorem. / São tão fortes as coisas!»
Carlos Drummond de Andrade
Disposição 1. - «A tentação é uma realidade que atravessa a vida como um todo, não apenas um momento».
Funcionamos como? Em ordem ao todo ou presos ao momento? Somos seres divididos. Quanto mais divisão “interior” maior o risco perante a tentação “exterior”. Tudo passa pelo autoconhecimento e o discernimento, que se sabe, humano e cristão.
Disposição 2. - «As três tentações querem fazer com que Jesus use um poder seu em benefício próprio. Cada tentação é uma parábola a decifrar: - Decifra-me e eu te consumirei!?».
Onde está o âmago da tentação? Jogo de espelhos. Abismo de luz. Aquário de libertinagem. Ilhas de vício. Tudo «Dor»: sem compreensão na primeira pessoa. No fundo radical, somos a inversão da «ordem» e do «plano» de Deus, como nosso(a) 
«Pai/Mãe». Pai/Mãe Ausente!?
“Lição única para as nossas tentações. Também elas querem
a glória do pódio sem passar pelo treinamento,
o galardão da vitória sem fazer a corrida,
o prazer sem o dom,
o resultado sem o trabalho esforçado,
a virtude sem a repetição dos atos,
a festa sem sua preparação,
as férias sem o ano de trabalho e de estudo,
a novidade sem a rotina do cotidiano” (JB Libânio).

É a grande a «moda» da tentação, da pós-modernidade juvenil. Qual novo super-herói a descer esplendorosamente do pináculo do Templo, sobrevoando intocado pelas praças da história ordinária, do dia-a-dia, do descompromisso! A grande tentação de Jesus, hoje, estilo mediático, seria, por impressão: - Concedo-te dois minutos diários de tempo televisivo!?
Disposição 2.1. - «Lucas imaginou/intuiu/formulou «três» tentações: pão, poder e glória – as ligações que «amarram» o ser. O relacionamento com as coisas, com as pessoas e com Deus, traindo o Criador naquilo que mais nos quer.
  • “(…) manda a esta pedra que se transforme em pão” – Jesus multiplicou pães para uma multidão, mas se fosse apenas para si, seria tentação. Multiplicar pães para a multidão é Graça. Eis a diferença de tudo que «coisifica» o nosso relacionamento.
  • “(…) eu te darei… estes reinos… tudo será teu” – Jesus diante de uma tentação maravilhosa! A força do «ter» e do «poder»: o prestígio…, a conta bancária e o cartão de crédito…, a derrapagem dos afetos. Contenção eis a diferença, os outros ficam «opacos» pela perda de Liberdade. Ao Poder total corresponderá a ausência da Liberdade: o ar que a alma respira está poluído!
  • “(…) atira-Te daqui abaixo” – a tentação mais fantástica, tipicamente pós-moderna. Tentação da aparência. O rei vai/está NU… e mais palmas “ele” pede!? Disse-me o amigo: «tempo é fumo!?».
  • Vivemos num mundo da aparência: sem Deus e não da experiência com Deus. - Deus nunca atrapalha, nós sim somos palha! Eis a diferença, quando está ocultado na nossa matriz a filiação divina. Ser um rosto sem significação... Ainda há tempo! «Ele só quis que tudo o que era e tudo o que tinha fosse para nós». – outro modo de dizer a mesma verdade: o ser humano só pode ser feliz, quando é capaz de sair de si e abrir-se para o Outro.
Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 17-02-2013















sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

ÉTICA NAS FINANÇAS uma questão de Justiça e Paz


Reflexão para a Quaresma de 2013. Documento conjunto da Comissão Nacional Justiça e Paz e das Comissões Diocesanas Justiça e Paz do Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Bragança-Miranda, Coimbra, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco, Porto, Setúbal e Viseu.
1. Pode parecer estranho que as Comissões Justiça e Paz (CJP) escolham o tema das finanças para a sua mensagem quaresmal de 2013. Acontece, no entanto, que, na linha dos anteriores, também o ano de 2013 continua dominado pela crise financeira, a qual tem sido enfrentada com medidas que afectam gravemente o bem-estar e as condições de vida da população portuguesa. Acresce a circunstância, altamente preocupante, de que as políticas adoptadas, apesar de não surtirem os efeitos esperados, foram recentemente reforçadas no Orçamento de Estado para 2013. (1)
2. Os malefícios associados à situação do país são conhecidos e não carecem de novas descrições exaustivas. Não se pode, todavia, deixar de lembrar que o país está sujeito a um Programa de Ajustamento que tem tido consequências muito pesadas sobre as condições de vida da população, em virtude dos cortes nos salários e nas prestações sociais, aumento da carga fiscal e subida pronunciada dos níveis de desemprego. Assiste-se, igualmente, a um forte sentimento de desânimo, na ausência de perspectivas credíveis de recuperação da economia, de percepção de que os sacrifícios não estão a ser equitativamente distribuídos, e de desconfiança sobre se os sacrifícios impostos levarão a resultados aceitáveis. Por outro lado, ressalta a situação de muitas famílias que contraíram empréstimos para aquisição de casa, no pressuposto de que os seus recursos não sofreriam quedas bruscas e permitiriam satisfazer os compromissos assumidos.
Com a perda de empregos e de rendimentos, que sobrevieram, essas famílias passaram a conhecer dificuldades, ou mesmo a impossibilidade de pagarem as prestações, o que as coloca em posição particularmente vulnerável ou na iminência de perderem a sua casa. Impõe-se a busca de soluções que evitem o despejo e sejam adaptadas à situação actual.
3. A comunidade cristã não pode deixar de ter presente este quadro nacional, estas famílias e estas pessoas, ao entrar no período anual de preparação para celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, que inaugurou a nova criação.
É na Páscoa de Jesus, que também é a Páscoa dos seus discípulos e da humanidade inteira, que a nossa esperança encontra as suas raízes. E se é certo que esta Quaresma se insere no Ano da Fé, é forçoso que também seja vivida sob o signo da Esperança e da Caridade.
4. A tendência mais frequente ao pensarmos em problemas como os que o país enfrenta actualmente, é a de procurarmos vias de solução que dependam de cada um e de instituições, públicas e privadas, dedicadas à ajuda assistencial. Esse esforço é indispensável para satisfazer as carências mais urgentes. Acontece, no entanto, que essa ajuda, se bem que necessária, não atinge as causas profundas dos problemas. É hoje consensual que aquelas causas se situam, a um tempo, a três níveis: o interno dos países, a esfera de espaços mais largos, como é, por exemplo, o da União Europeia, e, finalmente, o nível global. É a todos esses níveis, consoante as possibilidades de cada um, que os cristãos deverão intervir, para que a história dos homens se aproxime cada vez mais da história da salvação.
5. A «assistência social» de que acima falamos, não se confunde com o «assistencialismo». Este último compõe-se de um conjunto de acções facultativas, aleatórias e discricionárias, concedidas pelos serviços públicos ou instituições particulares, e que concentra o mérito no prestador. Diversamente, a «assistência social» tem subjacente a noção da dignidade humana do beneficiário, a que estão associados direitos indeclináveis. Estamos no domínio da justiça. A situação de crise pode justificar que se modifiquem algumas formas concretas de assistência, mas não pode prejudicar os direitos indissociáveis daquela dignidade. Do ponto de vista ético, que é o nosso, esta é uma incumbência primeiramente do Estado, porque se trata de um aspecto fundamental do bem comum, mas que se alarga a toda a sociedade civil, enquanto sujeito colectivo da prática da justiça e da solidariedade.
6. As principais características da evolução recente das condições de vida da população portuguesa são acompanhadas persistentemente por taxas negativas de crescimento do PIB, que permitem falar numa «espiral recessiva». Em todo este processo sobressai uma falta incompreensível de políticas que fomentem o crescimento económico que seja criador de emprego e promova uma justa distribuição do rendimento e da riqueza. Portugal é, de momento, o país mais desigual da União Europeia. O alargamento do prazo de amortização da dívida junto das entidades representadas pela Troika e o abaixamento dos respectivos juros também são factores que poderão permitir honrar os compromissos do âmbito do programa de ajustamento com menos sacrifícios para o povo. Algo neste sentido acaba de ser conseguido. Devemos saudar a iniciativa e o resultado, e, ao mesmo tempo, reconhecer que não basta.
7. Perante o flagrante insucesso do modelo de política seguido em 2012, a insistência de idêntico modelo, nalguns aspectos agravado, em 2013, pode ser eticamente inaceitável. O povo, as pessoas e as famílias não podem servir de objecto de experiências de política económica de sucesso altamente duvidoso. Ao denunciá-lo, as CJP afastam-se da cumplicidade do silêncio.
8. As CJP acreditam na construção europeia como espaço de Estado-nações que livremente escolhem integrar uma União de iguais, dotada de instituições democráticas próprias. Lamentam que o processo de decisão vigente conceda predominância injustificada aos membros economicamente mais fortes, em prejuízo da vontade e das necessidades dos mais fracos, e não pode aceitar que, por razões de incapacidade ou de estratégia, o governo do país tenha optado por uma postura objectiva de seguidismo político perante os ditames do(s) poderoso(s). O que está em causa é demasiado grave para ficar ao sabor dos gostos de um ou outro governante. É fundamental que o processo de integração Europeia envolva a criação de estruturas e legislação que vão ao encontro de maior justiça e solidariedade entre os países-membros.
9. Como salientamos acima, sabemos que as causas da crise que abrange o mundo se não limitam à esfera nacional, embora muito haja que pode ser feito a esse nível. As causas são profundas e complexas e, como antes da crise, continuam a ser geridas pelos que, por acção ou omissão, geraram a crise. O que revela, além do mais, a urgente necessidade de uma consciência cívica e política do comum dos cidadãos perante as coisas do mundo.
10. Na sua ainda recente Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2013 (1 de Janeiro), o Papa Bento XVI apontou algumas questões particularmente relevantes, entre as quais as que seguidamente se transcrevem, e que merecem uma leitura atenta e muita ponderação:  
“Para sair da crise financeira e económica actual, que provoca um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico. O modelo que prevaleceu nas últimas décadas apostava na busca da maximização do lucro e do consumo, numa óptica individualista e egoísta que pretendia avaliar as pessoas apenas pela sua capacidade de dar resposta às exigências da competitividade.”
11. Noutro texto, o Papa observaria que no coração da crise actual está a quebra ética que teve lugar em todos os níveis da economia mundial, cada vez mais dominada pelo utilitarismo e materialismo (2). Quer isto dizer que qualquer proposta de reforma do sistema financeiro terá de estar voltada para a resolução desta “quebra ética”, o que pressupõe que, no mínimo: os critérios éticos não podem situar-se apenas na esfera da consciência individual, mas devem ser considerados em todo o processo de tomada de decisão, tanto a nível individual como colectivo; a educação e a formação em matéria de economia e finanças precisam de enfatizar o impacto humano destas actividades, com especial enfoque na justiça social; os nossos compromissos para com a dignidade da pessoa humana e o desenvolvimento humano integral necessitam de ser inscritos na legislação, com os adequados mecanismos de coacção, a nível internacional e nacional.
Torna-se por isso indispensável reforçar os mecanismos de regulação financeira, a nível nacional, europeu e mundial, através da imposição de um corpus mínimo partilhado de regras necessárias à gestão do mercado financeiro. Vem a propósito recordar o apelo do Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz, para a criação de uma autoridade pública de competência universal, “dada a necessidade de respostas, não apenas sectoriais e isoladas, mas sistemáticas e integradas, inspiradas pela solidariedade e pela subsidiariedade, e orientadas para o bem comum universal” (3).
O que está em causa não é uma forma de governança que retire poder às pessoas e as afaste do processo político, mas antes a adopção de um modelo de governança claramente ditado pelas exigências da justiça, da solidariedade e da subsidiariedade. Daí que as instituições internacionais devam intervir para apoiar os estados nas matérias que não podem resolver sozinhos, promovendo o bem comum, acima dos interesses egoístas. Importa assegurar que os mesmos padrões estão a ser aplicados em todos os países, o que permite aos governos introduzir medidas contra a injustiça e a desigualdade, sem receio de que as actividades económicas sejam deslocadas para fora do país pelos investidores ou empregadores.
As políticas financeiras e monetárias não devem prejudicar os países mais fracos, antes devem contribuir para a distribuição equitativa da riqueza mundial, através de formas inéditas de solidariedade fiscal e global. A tarefa de reformar as principais instituições da sociedade pode parecer arrojada, mas a doutrina social da Igreja recorda-nos que as reformas são realizáveis porque todas as nossas instituições são afinal o resultado de escolhas e decisões humanas.
Salienta o Papa Bento XVI: “Causam apreensão os focos de tensão e conflito causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predomínio duma mentalidade egoísta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado.” (4)
12. Por outro lado, “o primado do espiritual e da ética tem que ser restaurado e, com ele, o primado da política – que é responsável pelo bem-comum – sobre a economia e a finança” (5). Para tanto, não basta proceder só à reforma do sistema financeiro. Torna-se necessário utilizar várias aproximações, nomeadamente, a regulação, a educação e a participação de todos, para reforçar os laços entre a actividade económica e o bem-comum da sociedade. Em particular, as igrejas e as comunidades dos crentes são chamadas a reflectir, quer individualmente quer colectivamente, sobre as exigências da fé no contexto dos desafios actuais das nossas sociedades, designadamente: na análise auto-crítica sobre a extensão da nossa participação num sistema económico que falhou na protecção dos mais vulneráveis; na procura de que a actividade financeira das nossas actividades e organizações respeite os mais altos padrões éticos possíveis, promovendo e divulgando boas práticas; na organização e participação no debate público para dar voz aos princípios éticos; na adopção de estilos de vida mais sustentáveis, que impliquem também maior solidariedade para com os irmãos que estão a passar por dificuldades e para com as organiza-ções que trabalham para a justiça social; na escolha dos bancos e dos investimentos que respeitem os princípios éticos, muitas vezes consubstanciados em Códigos de Conduta Ética, que devem ser desenvolvidos e merecer o nosso apoio, quando contribuem para a transparência, a defesa dos Direitos Humanos e a distribuição justa dos lucros.
13. As Comissões Justiça e Paz subscritoras deste documento apelam também aos órgãos políticos do país, designadamente à Assembleia da República e ao Governo, no sentido de:
a) apoiar a criação da autoridade internacional de regulação, acima referida, que seja independente das instituições financeiras e tenha em conta as considerações éticas, designadamente as relacionadas com a eliminação dos paraísos fiscais;
b) manter o apoio à introdução de uma taxa sobre as transacções financeiras, tal como foi proposto pela Comissão Europeia em 2011;
c) subir a participação nacional na Ajuda ao Desenvolvimento, por forma a atingir a meta dos 0,7% do PIB, de acordo com os compromissos assumidos
e que não devem ser esquecidos, mesmo em situação de crise;
d) identificar áreas de regulação adicional – a nível nacional e internacional – de modo a assegurar que a actividade económica esteja em conformidade com a procura da justiça;
e) introduzir legislação destinada a lutar contra a corrupção e a evasão fiscal;
f) procurar, junto do sistema bancário, soluções para as famílias que, sem culpa própria, estejam com dificuldades para pagarem as prestações decorrentes do crédito à habitação e em risco de perderem a casa, sob pena de se vir a assistir a um problema social de vastas proporções.
14. “O obreiro da paz – diz Bento XVI – deve ter presente também que as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opinião pública, a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, há que considerar que estes direitos e deveres são fundamentais para a plena realização de outros, a começar pelos direitos civis e políticos.”
15. As CJP expressam votos de solidariedade a todos os seus concidadãos e concidadãs. Aos seus irmãos na fé, desejam uma celebração da Páscoa marcada pela paz, certas de que uma maior fidelidade à mensagem do Evangelho de Jesus Cristo dá sentido ao sofrimento e aponta para critérios de felicidade que levam, depois da crise, por caminhos diversos dos que levaram à crise.
3 de Fevereiro de 2013
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1 A «ética nas finanças» é o tema eleito pela JPEuropa para a «acção concertada» comum em 2013, das Comissões associadas. A JPEuropa é uma rede constituída por Comissões Justiça e Paz da Europa.
2 Bento XVI, Caritas in Veritate, 2009.
3 Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz (2011), Para uma reforma do sistema financeiro e monetário
internacional na perspectiva de uma autoridade pública de competência universal.
4 Bento XVI, (2012), Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2013.
5 Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz, ibidem
6 Bento XVI, ibidem