quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
TENDE CUIDADO CONVOSCO
Georgino Rocha | Assistente da CDJP.Aveiro
Esta recomendação é feita por Jesus no ensinamento que encerra o seu ministério em Jerusalém. Quem a escuta fica com muitos “sabores de boca” e interrogações na mente. Será advertência premonitória e exortação à vigilância? Alarme despertador da consciência face ao que está a acontecer e preanuncia o rumo do futuro? Convite/apelo a que se tome a vida a sério e se passe da indiferença vulgarizada à observação crítica em ordem a compreender a realidade envolvente?!
Além deste “leque” multicolor de possibilidades, o narrador do episódio – Lucas, o médico escritor – destaca alguns elementos que Jesus terá aduzido e que surgem “enroupados” numa linguagem especial, própria para iniciados, a apocalíptica. O ponto de convergência de todos está centrado nas “coisas” últimas do tempo histórico e no advento das realidades futuras.
Os ouvintes tinham vivido situações desoladoras como a da guerra judaica e a matança subsequente, a destruição do Templo e a ruína religiosa provocada pelo vazio espiritual, a perplexidade angustiante face ao futuro que parecia estar cativo de um presente fechado. Este cenário desolador serve de “pano de fundo” à admonição “tende cuidado convosco” que Jesus se encarrega de fundamentar. E aduz razões de atenção vigilante aos acontecimentos, de ânimo levantado e de postura inteligente, de coração liberto e disponível, de oração constante e de esperança activa.
Os discípulos podem assim crescer na certeza de que a libertação está próxima e aguardar o encontro definitivo com o Senhor, o Filho do homem (nome usado por Jesus para desvendar a sua humana divindade e indicar o tipo da sua missão sofrida). Esta certeza constitui a marca de qualidade da fé dos cristãos e é reafirmada no Credo apostólico. Este encontro vai acontecendo em gestos solidários e atitudes fraternas e será consumado na comunhão da família de Deus quando toda a humanidade atingir a realidade definitiva e estiver nos braços do Pai.
“Tende cuidado convosco” – repete-nos, hoje, Jesus Cristo -, observai o que está a acontecer, olhai para o vosso mundo interior e examinai os vossos critérios de vida, vede as ondas de solidariedade no meio de tantas desgraças, acreditai que outra organização da convivência humana é possível e trabalhai por ela com a força da esperança e a eficácia da caridade e da justiça. Contai com a minha presença renovada e intervenção discreta para dar alento e persistência aos vossos esforços. E um dia, todos juntos em comunhão familiar faremos a festa do universo e dos nossos irmãos em humanidade.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Semana Social 2012–Porto

Comunicado Final da Semana Social Porto 2012
A Semana Social do Porto, em 2012, procedeu a uma reflexão sobre os desafios atuais ao Estado Social e à Sociedade Solidária. A Igreja assume a necessidade de encontrar sinais e iniciativas de esperança que se contraponham à crise, propondo uma mais eficiente partilha de recursos, uma justiça fiscal equitativa e uma avaliação rigorosa dos serviços públicos. O Estado Social deve ser discutido e pensado não por urgências financeiras, mas de modo a corresponder às exigências da coesão económica e social, da justiça e da dignidade humana.
Como disse o Bispo do Porto, D. Manuel Clemente: “Foram sociedades solidárias que se constituíram em Estados sociais. (...) Antes, logicamente antes, do Estado social está a sociedade solidária, que o precede, alimenta e extravasa.” Nascido na revolução industrial e depois dos trágicos conflitos mundiais do Séc. XX, o Estado Social tem de ser visto nas sociedades desenvolvidas contemporâneas sob a influência da questão demográfica, da quebra de taxas de natalidade e do envelhecimento da população. Neste sentido, o Estado Social reporta-se à sociedade toda, uma vez que tem a ver com a criação e consolidação de condições de coesão e de confiança entre todos.
A Doutrina Social da Igreja tem alertado para a necessidade de encontrar respostas que permitam uma articulação efetiva entre o Estado e as iniciativas solidárias. A reforma do Estado Social tem, assim, de se basear: na proteção de todos os cidadãos, no equilíbrio entre a livre iniciativa e a igual consideração de todos, no entendimento do destino universal dos bens da Terra, na dignidade do trabalho e na promoção do emprego, na justiça distributiva entre grupos sociais e gerações, na complementaridade entre igualdade e diferença, na subsidiariedade e na participação de todos. Como afirma S.S. o Papa Bento XVI, na Encíclica Caritas in Veritate: “ O binómio exclusivo mercado-Estado corrói a sociabilidade, enquanto as formas económicas solidárias, que encontram o seu melhor terreno na sociedade civil, sem no entanto se reduzir a ela, criam sociabilidade” (nº39).
Assim, não podemos deixar na penumbra o tema do desemprego estrutural e da preservação do trabalho humano. A economia para as pessoas exige a dignificação do trabalho e a promoção do emprego em condições de igualdade e justiça, devendo romper-se o ciclo vicioso que considera a pobreza como inevitável e a desigualdade como uma fatalidade. Deste modo, impõem-se assegurar a solidariedade entre pessoas e gerações e nesse sentido houve a apresentação de iniciativas assentes em redes de proximidade, na criatividade e na inovação social, na responsabilidade das famílias e das comunidades, designadamente perante os desafios do envelhecimento e da solidão. Importa encontrar novos estilos de vida, capazes de articular sobriedade e desenvolvimento. A reforma do Estado Social não pode esquecer a assunção concreta dos riscos sociais e a compatibilização da sustentabilidade financeira e da justiça distributiva, importando romper o descontrolo do endividamento e pôr cobro à escalada do desperdício e da destruição do meio ambiente. Do que se trata é de considerar princípios de ética pública que ponham a dignidade da pessoa humana no centro da vida política, social e económica. Como afirmou Luciano Manicardi “longe de representarem duas dimensões opostas, justiça e caridade podem e devem encontrar-se: a justiça é o rosto social da caridade”.
A segurança social, a educação, o serviço nacional de saúde são responsabilidades inerentes à defesa do bem comum e à salvaguarda da proteção de todos. A noção de serviço público não é confundível com a ação do Estado, pelo que o Estado de direito deve fortalecer-se e consolidar-se através de iniciativas sociais autónomas. A justiça distributiva tem de se ligar à ideia de diferenciação positiva, que não pode confundir-se com assistencialismo, uma vez que os mais carenciados são os que necessitam de mais apoios. O valor da poupança e do trabalho têm de ser incentivados, por contraponto ao endividamento e em defesa da equidade. As desigualdades sociais, a pobreza e a exclusão devem ser contrariadas através de instrumentos públicos e de iniciativas solidárias, através do sistema fiscal, da subsidiariedade e da cidadania ativa.
Nestes termos, os cristãos são chamados a viver a caridade na verdade, o que reclama uma prática verdadeiramente humana, uma ação de proximidade e o compromisso com a justiça. Para tal, importa que os cristãos se interessem, estudem e aprofundem a Doutrina Social da Igreja, nas famílias e comunidades, para que possam fazer a leitura das realidades de cada momento à luz dessa doutrina, que tem o mérito de ser transversal e aplicável a todas as famílias políticas.
Neste Ano da Fé, a Semana Social Porto 2012 afirma que há uma esperança cristã que tem de ser princípio e critério que, sobretudo em tempo de crise, cabe aos cristãos inscrever na organização social e na participação política.
Outros Documentos
Documentos da Semana Social | Porto 2012
ESTADO SOCIAL E SOCIEDADE SOLIDÁRIA
Casa de Vilar - Porto | 22 a 25 de Novembro
22 novembro
16h00 _ Abertura do Secretariado
23 novembro
09h30 _ Sessão de aberturaD. Manuel Clemente | Bispo do Porto e Vice-Presidente da Conferência Episcopal PortuguesaD. Jorge Ortiga | Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade HumanaProfessor Guilherme Oliveira Martins | Coordenador Nacional das Semanas Sociais10h30 _ Conferência| Sociedade Solidária e a responsabilidade da IgrejaD. Jorge Ortiga | Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana| Presidente da mesa Ana Maria Braga da Cruz | Associação Coração Amarelo12h30 _ Intervalo para almoço14h30 _ Sessão plenária| Caridade e solidariedade, papel dos cristãos numa sociedade mais solidáriaLino Maia | Presidente da CNIS – Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade| Presidente da mesa Fernanda Rodrigues | Universidade do Porto16h00 _ Grupos de trabalho| O desemprego estrutural e a preservação do trabalho humanoMarisa Tavares, Universidade Católica Portuguesa | João Proença, UGT | Manuel Carvalho da Silva, Investigador e Professor Universitário do CES-Lisboa | António Faria Lopes, Faria & Irmão, Leiria| Presidente da mesa Rogério Roque Amaro | ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL)| Pobreza e desigualdade: novas respostas sociaisAna Cardoso, Centro de Estudos para a Intervenção Social | Isabel Jonet, Banco Alimentar contra a Fome | Palmira Macedo, Universidade Católica Portuguesa| Presidente da mesa: Eugénio Fonseca | Cáritas Portuguesa| Solidariedade entre gerações, família e envelhecimento: como estamos a responder à nova realidade?André Azevedo Alves, Universidade Católica Portuguesa | Manuel Brandão Alves, Lisboa | João Wengorovius Meneses, TESE, Associação para o Desenvolvimento| Presidente da mesa Maria do Rosário Carneiro | Comissão Nacional Justiça e Paz
24 novembro
10h00 _ ConferênciaLuciano Manicardi | Comunidade Monástica de Bose| Presidente da mesa José Luis Carneiro | Presidente da Câmara de Baião12h15 _ Lançamento livro de Luciano Manicardi (“A Caridade dá que fazer” – Edições Paulinas)12h30 _ Intervalo para almoço14h30 _ Sessão plenária| A reforma do Estado Social e a Doutrina Social da IgrejaGuilherme d’Oliveira Martins | Coordenador Nacional das Semanas Sociais| Presidente da mesa Manuel Castro Almeida | Presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira16h00 _ Grupos de trabalho| Reformular o Estado social: novos riscos sociais, sustentabilidade e justiçaJosé Manuel Moreira, Universidade de Aveiro | Jorge Bateira, Universidade de Coimbra | Américo Mendes, Universidade Católica Portuguesa| Presidente da mesa Adriano Moreira | Academia das Ciências de Lisboa| Novos estilos de vida: sobriedade e desenvolvimentoP. Lino Maia, CNIS | Filipe Pinto, Leigos para o Desenvolvimento | P. José Tolentino Mendonça, Universidade Católica Portuguesa | Abel Cunha Rodrigues, Movimento das Comunidades de Vizinhança| Presidente da mesa José Silva Peneda | Conselho Económico SocialManuela Silva, Lisboa | Francisco Sarsfield Cabral, jornalista | Alfredo Bruto da Costa, Comissão Nacional Justiça e Paz| Presidente da mesa Manuel Pinto | Universidade do Minho21h30 _ Evento Cultural – Concerto de órgão na Igreja da Lapa - Filipe Veríssimo (organista)
25 novembro
10h00 _ Sessão de Encerramento12h00 _ Eucaristia| Sé Catedral do Porto, Presidida pelo Bispo do Porto, D. Manuel Clemente
terça-feira, 30 de outubro de 2012
terça-feira, 23 de outubro de 2012
«Portugal: o país que queremos ser»
No dia 3 de Novembro a Comissão Nacional Justiça e Paz promove a sua conferência anual ( Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian), em Lisboa. Tendo como tema «Portugal: o país que queremos ser», procurará promover uma reflexão sobre o País, no quadro do mundo globalizado.
Estamos perante desafios importantes da nossa cultura e identidade; num tempo de crise, que também é de oportunidades para repensar modelos de vida e de felicidade individuais e coletivos, e rever instituições, com vista a torná-las mais justas e mais humanas. É tarefa que deve ser participada e que, por isso, impõe de forma clara que cada um se reconheça artífice da construção coletiva.
Programa e inscrições em www.ecclesia.pt/cnjp
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